sábado, 9 de julho de 2016

CÉREBRO NO TRABALHO


Os líderes mais inovadores incentivam a inovação, o pensamento criativo e a capacidade de resolver problemas.

Num ambiente de trabalho, se há trabalho, há pessoas; e se há trabalho e pessoas, há objetivos e um fim: lucratividade ou conhecimento ou sucesso. Há o desejo de conquista, de superação e de bem estar, principalmente financeiro. E para alcançar tais metas, é preciso gestão.
O fundamento de toda gestão é crescimento através do esforço humano organizado: todo conhecimento convergem para o desenvolvimento de todos e do ambiente de trabalho. Mas antes de tudo é preciso entender e gerir pessoas em torno de uma mesma emoção, com motivações e ações diversas. A ideia é construir um ambiente intelectual / profissional participativo, colaborativo e solidário.

Essa ação é muito difícil se não houver autoconhecimento das próprias emoções ou quando não se tem a noção equilibrada dos estímulos a que os sentidos entrarão em contato enquanto se experimenta o alcance de determinado fim (aprendizagem, inovação, reconhecimento, liberdade, engrandecimento). Ou seja, a gestão de pessoas exige mentes ‘abertas’ (sistemas nervosos estimulados) às constantes adaptações e transformações dos outros nos outros e para os outros: a gestão de pessoas deve ser uma sinergia positiva e empática. É um diálogo entre sinais elétricos enviados a determinadas áreas cerebrais para que se mantenha organizada uma equipe ou ambiente de trabalho.
Em ambientes de trabalho, ideias, estratégias, criatividades e motivações não faltam. O que falta é inovação e ação. O que falta é aceitar que é preciso mudar, pensar no que é preciso mudar e enfrentar o processo de mudança reconhecendo que o tempo será longo e as pessoas necessárias. Escolas e empresas, por exemplo, encaram essa perspectiva de maneira semelhante: uma quer um produto de sucesso; outra quer pessoas de sucesso.
E o que tem o sistema nervoso tem a ver com isso?
Seres vivos humanos têm sistemas nervosos que funcionamento por causa da convergência de estímulos advinda dos sentidos. As experiências e as vivências de cada um se misturam e há, no processo e nas memórias, várias seleções e adaptações sobre quem é quem; quem confiar ou não; o que fazer ou não; a quem se aliar ou não; quais os próximos passos ou desistências; etc. Tudo isso ocorre em segundos diante da necessidade de participar de uma dinâmica de grupo; um projeto de futuro; uma reunião importante; uma mudança de cidade; uma prova de concurso; etc.
Este é o âmbito do córtex prefrontal: ambiente das decisões. Mas antes dele, antes do lugar que nos torna ‘civilizados’; devemos pensar na evolução das amígdalas cerebrais (emoções), hipocampo (memória) e córtex pré-frontal (raciocínio): nosso sistema límbico (um conglomerado de estruturas situado abaixo do córtex pré-frontal).
A convivência entre pessoas ‘alimenta’ as rotas da sensação cujos órgãos dos sentidos detectam estímulos, convertem a informação em sinais elétricos e os transmitem para as zonas do cérebro especializadas em processas tipos específicos de informação sensorial e transformá-los em sensações. Hoje, além do conhecimento, é imprescindível pensar e agir com inteligência na gestão de pessoas no trabalho porque, antes da efetivação dos trabalhos / projetos, emoções diferentes estão unidas.
É preciso fazer funcionar o cérebro consciente (habilidades emocionais e ferramentas cognitivas), ainda que memória e imaginação estejam sempre em alerta quanto ao desconhecido ou às diferenças de posturas ou emoções. Então, ao gerirmos pessoas no trabalho, devemos desencadear a experiência de realidade no intuito de estabelecer as melhores performances e relações profissionais. Pontos iniciais: autoestima e lúdico. Ou seja, incentivar / provocar a fluência dos currículos óculos; a experimentação dos pensamentos; a presença das diferenças de comportamento; e a liberdade de querer mudar a si e ao processo: estamos falando da presença de serotonina e dopamina (bem-estar e prazer) em fazer parte de algo positivo.
Boas relações se constroem com emoção e pensamentos sobre si mesmo e sobre o que se quer do outro. O ambiente em que passamos boa parte do nosso tempo (o trabalho) demanda tanto um cérebro social, quanto um cérebro emocional. Logo, no contexto do trabalho, emoções podem parecer sentimentos conscientes, mas são movimentos internos, ou seja, são respostas psicológicas aos estímulos, destinadas a nos afastar do perigo e nos aproximar da recompensa.
É preciso treinar o cérebro para entender as diversidades e se manter inserido neste ambiente com mais recompensas do que perigos (ansiedades, preocupações, medos ou irritações). É um processo intenso de adaptação às situações e de transformação interna elaborada pelo sistema límbico.
Pensando nisso, há algumas frases que devemos evitar em ambiente de trabalho, segundo o site ‘universia’. Estas são frases que produzem certa toxicidade à boa convivência entre colegas e podem determinar conquistas emocionais e/ou profissionais. A saber:
1. "Isso não é justo" – Aceite que injustiças acontecem o tempo todo e siga em frente. Não perca o foco ou torne-se vítima;
2. "Isso não é problema meu" ou "Não sou pago para isso" – em momentos estamos no topo; em outro precisamos de ajuda; logo não se neutralize; participe; colabore sempre que puder;
3. "Eu acho que..." – Como você não está ‘procurando’ nada, não tem que achar nada. Tem foco e força; logo ‘eu acredito’ é o melhor;
4. "Vou tentar" – Você pode até pensar ‘eu posso tentar’ porque logo a seguir virá ‘eu sou capaz’; mas tente não falar. Se é capaz não há possibilidade de falha. A falha gera desconfiança e isso não é bom. Assuma e aprenda;
5. "Eu odeio..." – Evite sentir esta emoção e nunca a prouncie. Há uma carga muito negativa. Palavras tem poder e esta é muito forte. Pare de reclamar e faça o que lhe compete;
6. "Mas nós sempre fizemos desse jeito" – Diante de mudanças temos a oportunidade de fazer diferente, experimente. Não a desperdice com ações de sempre (engessantes). Refaça projetos, amigos, ordem, regras. Pratique a flexibilidade cognitiva e resolva problemas;
7. "Isso é impossível" ou "Não há nada que eu possa fazer" – Reveja seus planos ou erros, item a item, para detectar onde houve desvio e reconstrua. Não há nada impossível, apenas o que vc acreditar que seja. É o melhor momento para entender o que significa ‘superação’. Atitudes proativas sempre;
8. "Você deveria ter..." – Se algo deu errado, reveja e encontre novas soluções. A busca de culpados é inútil. Chame e reorganize o grupo para, junto, repensarem novas estratégias. No processo, ofereça ajuda sempre;
9. “Não tenho tempo para isso agora” – Ainda que seja verdade, atenção a quem diz isso. Essa atenção é muito importante. Trabalho é importante, mas a necessidade dos colegas / amigos também. Prioridade é para todos. Ao invés disso, pergunte se você pode ajudar dentro de alguns minutos ou se vocês podem agendar um horário.

Profª. Claudia Nunes

REFERENCIAS


domingo, 26 de junho de 2016

SMARTPHONES: mundo sem música



No meio de uma praça de alimentação de um shopping de subúrbio, numa sexta-feira, chama atenção o número de pessoas com o olhar focado em seus smartphones. Apesar da musica ao vivo, um grande numero de pessoas consegue atenção plena focada em seus smartphones. O que acontece? Estão todos mesmo transtornados? Mesmo em ambientes como múltiplos estímulos basicamente sonoros e visuais, há uma necessidade constante de imergir em ambiente virtual e de acessar múltiplas informações e pessoas em outros lugares fora dali. Parece não haver nada que interrompa essa necessidade. Ideia inicial: a partir da possibilidade de acesso e imersão no mundo virtual, há instalação do vício e este causa transtorno e dependência. Há uma compulsão generalizada.
Em algumas pesquisas norte-americanas observa-se que, hoje em dia, milhares de pessoas são incapazes de permanecer sem o celular e, em muitos casos, com o tempo de imersão, estas pessoas perdem a capacidade de interagir e/ou de manter uma conversa. Cada acesso é como tomassem uma dose adrenalina e dopamina ao mesmo tempo. Euforia e alteração de humor estabelecem outros padrões comportamentais pela constância do acesso e tempo de imersão. Outras formas de acesso dos sentidos cujo resultado seria a qualificação das ferramentas mentais de/para a vida em sociedade ficam prejudicadas, quase inerte e/ou diminuídas. Como todo vício, busca-se a sensação de prazer constante, mesmo em períodos curtos: as pessoas sentem vontade de olhar o celular toda hora, principalmente depois do surgimento de diferentes redes sociais virtuais, com diferentes temáticas, como Orkut, Facebook, Twitter, Linkedin, Instagram, Pinterest etc.
Numa praça de alimentação de shopping, lotada, numa sexta-feira, com música brasileira, ao vivo, essa atitude chama muito a MINHA atenção. A ênfase no pronome possessivo sugere que, para os outros, não há estranhamentos. Parece que não percebem a contradição instalada. Se todos foram assistir e sentir a música por que tantos a ignoram, sem culpa, para estarem em outros lugares longe dali? Estranho... Eu estranho...
Hoje em dia há um nome para esse transtorno: NOMOFOBIA, uma fobia causada pela falta do celular e cuja sensação pode causar pânico, ansiedade, estresse e tantas emoções toxicas. A imersão sem limites no mundo virtual desvincula o corpo e a mente humana do movimento da vida cotidiana tão cheia de surpresas e mudanças e, que por isso, exigiriam do ser vivo humano transformações em suas funções cognitivas e executivas. Os smartphones potencializaram nossa imaginação sobre superpoderes e superherois, afinal com certo grau de invisibilidade, temos o mundo nas mãos e somos quase oniscientes: numa mesa com 04 pessoas sentadas, por exemplo, pode haver mais de 20 conversando inclusive as 04 sentadas ou mesmo nenhuma delas.
O tempo ganha outras limitações ou nenhuma limitação: sentados numa praça de alimentação, resolvemos diferentes problemas, decidimos os próximos passos de nossas vidas, dialogamos com outras pessoas além daquelas sentadas em nossa mesa (as ignoradas), enviamos atividades / respostas para futuros trabalhos ou encontros.
Numa praça de alimentação de um shopping de subúrbio, numa sexta-feira, com música ao vivo, temos dezenas de pessoas se multiplicando em outras tantas dezenas em outros tantos lugares; e/ou temos dezenas de pessoas de corpo presente, mas vazias de presença real. Ou seja, no fim, não há ninguém ali, só eu já que decidi estar, naquela hora, em uma dimensão da vida. Estranho... Eu estranho... Estamos na percepção da dobra delleuziana? Eu não sei... Não é só uma dobra, em que observamos a vivência de uma dimensão real e outra virtual; há uma desconexão profunda tão grande que desaparecemos prazerosamente.
Em outras pesquisas inglesas, observa-se o avanço de outro transtorno: o IAD (Internet Addictio Disorder) = distúrbio da dependência em internet e este é observado justamente quando os milhares de pesquisados são colocados em processo de abstinência. Todos apresentam então os mesmos sintomas dos dependentes em drogas, jogos e comida; ou seja, segundo a pesquisa, quando privados dos objetos de suas compulsões.
Na praça de alimentação de um shopping, estou diante de tudo isso: dependentes, compulsivos e/ou transtornados. A ideia da introdução dos recursos relacionados às tecnologias virtuais em nosso cotidiano era favorecer e ampliar nossas estratégias relacionais já que teríamos mais tempo livre e esta foi cooptada para uma simples troca (inversão?) de atividades (ações = trabalho = tensão): parece que o relaxamento ou o chamado ‘ócio criativo’ é uma ilusão / utopia.
O desejo de conhecer e interagir com o ‘novo’ mundo virtual reorganizou nossas emoções para um foco: o próprio mundo virtual. Resultado: sentidos profundamente embotados e com flexibilidade adaptativa frágil. Os seres vivos humanos, naquela praça de alimentação, não SE desligam para simplesmente SENTIR a musica e o ambiente, e, de repente, PENSAR em si mesmo no ambiente, entre outras pessoas, a partir da música. Há um descontrole generalizado dos comportamentos e de determinadas regras sociais e éticas: se os seres vivos humanos escolheram estar naquela praça de alimentação, naquela sexta-feira, para ouvir música, deveriam estar ali integramente: olhar os outros; atender aos outros; falar com os outros; ouvir os outros; reconhecer e cantar músicas; beber e comer com os outros; enfim, criar um mundo em que o cotidiano de trabalho e responsabilidades esteja guardado para outro momento.
Diante dos smartphones, os seres vivos humanos perderam a noção do TEMPO e da HORA de serem seres vivos humanos e aprenderem o que é serem seres vivos humanos entre outros tantos seres vivos humanos emocionantes e emocionados simplesmente sentindo como pode ser bonita e relaxante a vida de seres vivos humanos juntos na ‘vida real’.
Qual é a minha sensação?
Numa praça de alimentação de shopping, numa sexta-feira: Estou só!
Não vejo ninguém. Só ouço a música...


Profa Claudia Nunes

quinta-feira, 7 de abril de 2016

208 A DOR

Dor contínua: algo desagradável, desconfortável e incapacitante. Aspectos físico-sensoriais e emocionais alterados e desarticulados. Não há experiência pior, principalmente, quando ela se torna crônica. E quando a dor instala-se nas articulações, os movimentos estão impedidos; a vida cotidiana começa a perder sentido e a cama é o melhor lugar pra se esconder. Não há mente saudável que se sustente. Estamos incapazes de nos comunicar facilmente com o mundo e com as pessoas: nunca mais correr, abraçar, pegar, andar, eis os pensamentos que esvaziam nosso vigor. Não há subjetividade nisso: a dor dói mesmo. A engrenagem corporal funcional aos trancos e barrancos; e o cérebro começa a jorrar cortisol nos sistemas: surge a vontade de ‘nada’; surgem mais respostas ‘não’ do que ‘sim’; surge o olhar cinza e a utilidade de solidão; surge o silencio, a falta de humor e o sedentarismo. Assim chega e fica a doença trazida pelo Aedes Aegypis, no meu caso, a Chicungunha. Mais do que febre ou infecção, a inoperância dos movimentos traz muita dor física e também emocional. É um alerta de que, de novo, estamos á mercê da sorte e/ou na mão do outro. É um alerta à nossa fragilidade e limitação orgânica em meio a uma Natureza tão violada por nós mesmos. De repente e sempre, estamos disfuncionais e não há o que fazer. Cinco dias, um mês, seis meses, dois anos: quanto tempo podemos suportar os limites do corpo às nossas vontades e responsabilidades, sem enlouquecer ou deprimir? A dor apresenta a possibilidade de olharmos nosso corpo e nossa mente de outra maneira: diferente; e investe na possibilidade de criar estratégias para retomar o caminho da saúde; mas a questão crônica nos impede de perceber a positividade desse momento. A dor demora. Demora demais. É uma experiência que não desejamos, mas que, de uma hora para outra, nossa pele está alterada, nossa temperatura elevada e nossas articulações travadas / doloridas. E nossas responsabilidades, aquelas que nos distraem do corpo e da mente, não tem como serem descartadas. Saídas de carro, aula com febre, movimentos, toques, tudo continua só que há um novo elemento: A DOR. É pesado! É duro! É desesperador! Tudo dói demais em dupla face: por dentro (efeito da picada) e por dentro (emocional / psicológico). Experiência sensorial sem alinhavo e concordância: só uma vontade louca de deitar e dormir eternamente sem dor. De uma hora para outra, só temos a necessidade de tolerância. Quanto tempo podemos tolerar a dor? Particularmente, tempo nenhum! Essa tolerância sim pode ser considerada subjetiva: ela está relacionada ao tanto de dor já vivido e superado. Tolerância depende também da experiência de / da dor. Além de nos surpreender com o corpo e a mente, nossa individualidade percebe a dor de acordo com nossa experiência de vida. Em dor estamos altamente estimulados na parte afetiva, fisiológica, cognitiva: estamos à flor da pele. Ansiedade, medo e depressão tem uma proximidade bem forte aos nossos pensamentos: são fantasmagóricos e arrepiantes. Vontade de nada mesmo! A dor faz interação direta com o psicologismo do sujeito. Quanto tempo isso dura? Quanto tempo a tolerância é positiva? Estamos alarmados (doloridos). Estamos ‘psicossocialmente’ disfuncionais. E os dias se tornam angustiantes e tristes. Meu sistema nervoso central interpreta assim: agonia. Vou deitar de novo... Claudia Nunes

207 O REAL VALOR DA PÁSCOA

Pensando em Páscoa (Pêssarr, em hebraico = passagem). É um jogo de memória. É uma forma de lembrar que precisamos ter mais humildade, paciência, consciência ecológica, amor verdadeiro, força de vontade e juízo. Sim, devemos reorganizar nossos sentimentos ao encontro de mais juízo e identidade. Nós, humanos, somos luz do mundo, mas sozinhos não iluminamos nada e nem ninguém. Eu e o outro promovemos a fé e a confiança necessárias às promessas, às alianças, ao sucesso, à superação e ao entendimento dos nossos dias sem tantos problemas. Da Natureza, somos as criaturas das mudanças e do pensamento; da curiosidade e da criatividade; logo somos símbolos de uma representação de fé, comunhão e solidariedade. E precisamos de mais libertações das mentiras, das falsidades, das maldades, das indiferenças e das malícias. Páscoa é a lembrança de jantares em família; risos na mesa; trocas de afagos e abraços; conversas francas; sem pressas, desatenções ou celulares. Nós não somos mais escravos de nada ou ninguém; e nem deveríamos optar por sê-lo em nome da modernidade, civilização ou atualização. Não somos mais cordeiros; mas devemos nos ‘alimentar’ de bons fluidos e energias, quando diante de um bem, um bom, uma bonança, um benefício, uma beleza sem orgulhos bobos; e devemos saber juntar e viver as diferenças com respeito e silencio. Silencio é a tônica dos dias atuais sem que se perca a identidade ou a verdade. Silêncio é a tônica da gratidão mesmo se for nossa última opção de bem-estar. Páscoa é herança de fé e de força seja ela sentida como ‘Easter’ (adoração à deusa Ishtar) ou ‘Pêssach’. Páscoa traz o conceito de primavera: reflorescer, revitalizar. Páscoa é a fertilidade de campos, corações e mentes para um novo tempo ou ciclo de vida. Páscoa é uma passagem de vida para uma nova vida cheia de oportunidades e surpresas: daí a representação do coelho (fértil) e do ovo (início da vida). Até os dias de hoje muitas histórias, de culturas diferentes, se uniram para agradecer e entender este momento. Há uma grande ritualização necessária a sensação de renascimento, mesmo que a penitencia seja importante. É um período de parada, entendimento, menos velocidade, mais interiorização, de expectativa sobre morte e ressurreição: metáforas da nova oportunidade de mudarmos nossas formas de viver como lagartas e reviver como borboletas. Eu acredito nisso. Eu acredito muito nisso. Estamos às portas de uma entrada para a verdadeira ‘vida eterna’ e precisamos decidir vivê-la com menos invenções, restrições ou tensões junto aos outros tão importantes em nossas vidas. Páscoa é isso: outra data para decidirmos o que seremos nos próximos dias e quais valores / pessoas nos envolverão com graça, calma e amor. Chocolate é bom; mas o amor ao próximo é fundamental. Claudia Nunes

206 'DEUS não joga dados com o universo'


Quando vivemos nossos sonhos precisamos ter muitos cuidados, principalmente em nossas relações. Nunca devemos ignorar a simplicidade de duas palavras: gratidão e humildade. Mesmo com rios de dinheiro ou holofotes de celebridade não podemos perder a noção de humildade. Nós voltaremos ao pó, mas vivemos a vida esperando não conviver em pó: sozinho, fluido, vagando e sem base afetiva. Precisamos da humildade. O sentido da gratidão é reflexo de nossa humildade sempre. Será que perdemos isso? Será que ficamos tão duros ao ponto de aceitar a soberba ao invés da humildade? Os tempos estão difíceis e confusos. Mas viveremos com os outros, e onde estará a amizade? Sem humildade, difícil ser amigo. Mesmo se alcançarmos todos os degraus dos desejos, os outros sempre serão a participação especial nesse processo. Precisamos ser humildes mesmo! E assumir a responsabilidade de, apesar de conquistadores, manter um olhar em nossos pés (casa, amigos, afetos) sem as prepotências dos ganhos obtidos. Sejamos humildes! Ninguém é melhor ou pior que ninguém. Dignidade, respeito e honestidade, por exemplo, são ganhos de homens de bem em todos os setores da sociedade. Fama, sucesso, dinheiro são importantes? Sim, lógico, mas há algo a se lembrar sempre: somos limitados, temos limitações, não somos perfeitos. E a modéstia, nossa melhor amiga e fonte de atitudes positivas, sempre nos possibilitará elevação espiritual, tão importante ao futuro quando fama, dinheiro e sucesso estiverem em outras mãos. Tenhamos humildade quanto ao modo de vida; às posses; ao jeito de agir e falar; às escolhas; às decisões; às formas de afeto das outras pessoas; afinal as experiências são diferentes e merecem nosso melhor sorriso, cuidado e respeito sempre. Humildade abre um leque para empatia e simpatia, e constrói uma vida quase isenta de solidões e mal-entendidos. Sim, os pouco humildes sofrem demais, afinal suas fraquezas estão disfarçadas com a chamada personalidade. Há uma capa fina os protegendo das invasões e das perdas. Os ‘sem humildade’ não sabem perder e por isso tem um manto de invisibilidade: são duros, marrentos e arrogantes. Perderam a noção do amor e da delicadeza com o próximo. E se desculpam porque a vida não lhes deu trégua até serem o que são. Pena! Triste! Sem humildade, as pessoas são encaradas como perigosas, invasivas, inúteis, descartáveis. Sem humildade, a tal personalidade se sente superior e, como um trator, passa por cima das pessoas, mesmo as que mais ama, sem lembrar que o amanha existe. Eles acreditam sinceramente que são melhores e não mais se lembram da virtude de um abraço simples, de um silencio respeitador, de um sorriso aberto ou de um papo livre de senões ou certezas absolutas. Sem humildade, a vida é uma tensão constante e cheia de orgulhos bestas. Por favor, sejamos humildes! Em meio ao sucesso, sejamos cordiais, hábeis e simples. Não há glória na solidão, nas inimizades, nos desencontros, nas perdas que a falta de humildade oferece. Todos somos iguais, apenas alguns souberam aproveitar as oportunidades da vida e alcançaram outros patamares de aprendizagem. Há de haver humildade para saber escutar, falar, sentir, rir, esperar, se desculpar, se abrir ao novo, ignorar pensamentos ruins, esvaziar-se de preconceitos e ser feliz junto, nunca separado. Humildade é a virtude central da vida em vida e para vida. Ela é testada todos os dias talvez para confirmarmos ou não nosso merecimento a partir de nossas atitudes e ações. Humildes, mas com atitude. Humildade, mas com elegância. Humildade, mas com limites e delicadezas. Não há rebaixamento nisso, é o reconhecimento humanizado e real de nossas falhas. Fertilizamos nossa vida através da humildade sem pieguice. Não neguemos esse sentimento. Não ignoremos sua força. Não descartemos sua enorme energia transformadora. Nossos sonhos podem ser realizados, mas exigem disciplina e simplicidade para construi-los objetivamente. A humildade se compromete, realiza, alcança, conquista, compartilha e nos disponibiliza para saber mais e melhor junto com os outros. Humildade é junto; o orgulho é separado e estagnado. Não há movimento no orgulho. Sofremos da aparência do movimento porque nos orgulhamos de quem somos e do que conquistamos; quando deveríamos aprender e agradecer o tempo de luta até reconhecermos quem somos e o que conquistamos. Sejam sociais e menos possessivos. Nada é seu; tudo pode favorecer a todos. Não desejemos grilhões; desejemos portas abertas e um livre trânsito de emoções e pessoas que possam nos ajudar a continuar crescendo: isto é humildade! Se o mar quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha. E certamente estaria isolado. Sócrates já dizia ‘só sei que nada sei’. Este é o ponto da humildade. Esta é nossa busca eterna: sonhar, agir, aprender e conquistar sem escravidões orgulhosas. Humildade é um valor, não uma condição: e é para vida toda. Àqueles com humildade sabem que nada sabem e procuram aprender sempre; sabem dar valor a quem lhes ajuda ou ajudou; sabem conviver com as diferenças sem exigir que provem quaisquer coisas ou que o outro seja o que não é. Pessoas, sejamos humildes e, com certeza, nosso mundo entrará em uma rotação mais positiva e feliz com a Naturezal. Aproveitem, afinal, como afirma Einstein, ‘Deus não joga dados com o universo!’.  Claudia Nunes

204 RETORNO À OUTRA DIMENSÃO


Vamos voltar à sala de aula adolescente!
Corpo e mente estão eletroquimicamente se organizando (e alterando) para este novo momento na vida de milhares de profissionais da educação. Mesmo aqueles mais cansados, desiludidos ou indiferentes, sempre há uma ponta de expectativa quanto ao retorno ao trabalho e ao que encontrarão como aprendente. Em ambos os lados dessa balança chamada ‘ensino-aprendizagem’ há sonhos, vontades, esperança de realizar um bom trabalho ou de ser um bom aluno.
As férias são importantes para a neuroplasticidade profundamente positiva: somos professores e humanos; logo a distração, prazer, o tempo vago (vagando), a família, os amigos, reestruturam a composição orgânica e mental porque tem seu tempo de vivência intensa e livre. Noradrenalina, serotonina e dopamina renovando corpo e mente: é a esperança ganhando espaço. Neste sentido (e tempo) pensamos o futuro e sinceramente imaginamos um tempo mais promissor sempre ‘da próxima vez’. Parece que há múltiplas dimensões / realidades e com elas convivemos todos os dias até as férias; daí em diante, Sangrilá se estabelece e vivemos dias de reorganização emocional. Em férias, eu vivo a cultura carioca e em geral, e penso constantemente no que posso me rever como profissional, mas sou assolada por uma tristeza enorme: meus alunos não tem a mesma oportunidade.
Na volta à sala de aula adolescente, penso em meus alunos e nos planejamentos. Eu preciso planejar um ano inteiro, em língua portuguesa e literatura, para quase 110 alunos, de 2º e 3º anos do Ensino Médio público, turno da noite. E a pergunta primeira é COMO?
Do subúrbio carioca, de contexto semiviolento, qual é a dimensão cultural vivida / experimentada por eles, de forma a favorecer o aprendizado de língua portuguesa e literatura? Pelo que escuto e observo, é quase nada. Fora do tempo da escola, estão na vida como vagalumes: atraídos por quaisquer luzes bonitas que os façam distrair de suas mazelas diárias. E eu vou voltar a essa dimensão. Em sala as duas dimensões: a minha e a deles. Não é só uma crise geracional; é uma crise de oportunidades. É uma viagem sem luxo ou paz, e, quase sempre, na base dos conflitos.
Sou otimista, mas, em quase 10 anos, volto para um profundo processo de nadificação intelectual e social. Os alunos passaram as férias trabalhando (único momento fora do contexto); em festas; namorando sem qualidade; cuidando dos irmãos menores; em meio a violências; sendo violentos ou maltratados; brigando; vagando; nas esquinas e bares; nas madrugadas sangrentas; sem paz carinho, amor, novidades, leituras, informações, limites, silêncios e sono.
Mesmo sendo seres vivos humanos adaptados aos seus ambientes e necessidades; são zumbis do seu tempo e das oportunidades. E de novo o ano recomeça e só o que temos é o que Pandora prendeu: a esperança.
Vamos tentar novamente mudar os rumos e os olhares desses grupos de alunos que chegam ou retornam às escolas.

Escola como salvação? Não! Mas escola como espaço das possibilidades e onde devemos tentar, tentar e tentar oferecer outros conhecimentos, com criatividade e muita, muita paciência.          Claudia Nunes

MICROCONTOS 196, 197, 198, 199

196 (12.01.16) Um nada...
Carolina tomou um susto. Ao abrir a porta, o mundo se foi. Nem o tapete da porta contaria sua história. Tudo era branco e sem cor. O corpo paralisou: não tinha para onde ir. Quando o coração acalmou, decisões: ou fugia, ou mudava, ou enfrentava. Nunca as consequências foram tão velozes: ela perdera tudo de repente. Cega, andava pelas ruas pedindo algo para comer e reviver. O caminho não tinha mais ritmo, apenas um pedido: por favor, pode me ajudar? Claudia Nunes


197 (12.01.16) Sem volta
Os pensamentos surgem por causa de gatilhos dos sentidos. Estes sim merecem nossa atenção constante. Eles são crianças que nos acessam quando querem e estimulam nossas memórias mais guardadinhas. Estudando memória, Selena se perdera em sua própria vida. Não sabia reencontrar o foco. Sabia que suas emoções estavam liberadas e não havia como parar. Duras e prazerosas, elas ganharam seu corpo e tiraram sua querida passividade: ela era ela sem ser o ‘ela’ de sempre. Ela não tinha paz; mas ‘ela’ tinha controle. Ela tinha liberdade; mas ‘ela’ vivia dentro de limites. Elas não se completavam e eram a mesma pessoa. Muito barulho e pontas, e ela com profundos andaimes de atenção e linguagem pelo corpo. Selena não tinha como voltar; não sabia como voltar; os caminhos eram um pó elétrico se chocando entre si e criando outros comportamentos e emoções dentro dela. O que pode ser mais fútil, insensato ou insano do que criar resistências? E assim se rendeu e se encontrou. Sim! Serena era a melhor pessoa do mundo, diziam seus amigos psicólogos! Claudia Nunes


198 (12.01.16) Opções
Sem perder tempo, não leve a vida tão a sério; acredite no tempo; limpe as coisas e armários ruins; sinta a leveza da vida, da paz e do sorriso; aja com cuidado, carinho e humor; respeite o futuro e o alheio; nunca seja vítima de si mesmo e das palavras; apodere-se de quem é e dos ensinamentos; lustre os recantos emocionais e seus entulhos; tenha atitudes bonitas e loucas; festeje os dias e a vida; ache a senha do silencio e do beijo; perdoe ansiedades, amores e amigos; mude o gesto, o jeito, o peito; cresça com coração, oração e gratidão; honre pai, mãe, amigos e a si mesmo; lute com fé, a pé e todos os ‘zés’ da vida; e, com tudo isso, Claudio inventou uma linha para a vida: a consciência e o otimismo. Claudia Nunes


199 (14.01.16) FÉRIAS...

E ela foi às férias. Sem crachá e identidade, ela foi à vida para respirar. Nada suspenderia seu momento. Iria respirar o que fosse necessário, sozinha e independente. Seus passos tinham memórias; mas seu futuro estava sombreado e em paz. Ela tinha que respirar e esquecer. Anos pensando em mudanças, planos, atitudes, amores e loucuras. Anos sendo o fenômeno de humano da força, da fé e da compreensão. Anos se trocando, se doando, se esquecendo, se controlando. Agora foi às férias. Férias definitivas. Férias das lutas, dos descasos, das necessidades, das responsabilidades e das farsas. Sim, ela queria ficar longe das farsas das relações de todo dia. Que prazer! Que amor! Que sol! Que luz! Se mais, Camila desligou os aparelhos que mantinham sua mãe viva há 03 anos: férias... Claudia Nunes

Nada nunca é igual

  Nada nunca é igual   Enquanto os dias passam, eu reflito: nada nunca é igual. Não existe repetição. Não precisa haver morte ou decepçã...