sexta-feira, 23 de abril de 2010

BANHO DE SILÊNCIO, Salve Jorge!


Hoje é dia de São Jorge! Acordei com a tradicional ‘Alvorada’. Diferentes seitas e religiões espocam rojões e bombas em toda parte, ao mesmo tempo e por vários minutos. São 5h10min, estou na janela, escutando. Este é o único sentido deste momento: escutar. Isto incomoda um pouco porque o olhar procura identificar de onde vêm barulhos tão fortes. É uma ação básica no ser humano, olhar para conhecer. Mas é inútil. De manhã não podemos identificar ‘os fogos’ como o fazemos quando observamos atividades de balões no ar, à noite. São proibidos, eu sei, mas é lindo demais! Depois de muitas tentativas, desisto e aceito ‘o escutar’. É retumbante! Meu coração parece acompanhar aqueles sons. De repente identifico outros sons. Não sei se as pessoas estão acordando ou foram acordadas como eu, mas tenho certeza que, já de pé, começam a vida, não tem jeito. Os sons se misturam cada vez mais e perdem suas identificações, inclusive de lugar. De sons pontuais tornam-se barulhos ou ruídos gerais. Se, no princípio, os sons tinham conotações religiosas, agora confundem e doem aos ouvidos. São 7h30min e começo a pensar no silêncio. Eu daria tudo por um repentino silêncio, talvez... de tudo. Um silêncio de tudo iniciaria uma renovação, será? É a minha esperança hoje. Este pensamento me leva a algumas perguntas: qual é o sentido do silêncio? É o barulho que anuncia a importância do silêncio? Qual seria a utilidade do silêncio? É estranho pensar essas coisas? Pois é, minha cabeça funciona assim esses dias... Desisto da janela, os sons diminuem e resolvo tomar um banho gelado. Dias de calor intenso, logo banhos ‘homéricos’ e gelados! Mesmo assim, mesmo debaixo d’água, de olhos fechados, penso no silêncio. Há um silêncio diferente no banho: limpeza. Banho limpa e o silêncio também: por quê? Penso em impurezas. Sei que ruídos e silêncio podem ser grandes refúgios, mas também, no silêncio do mundo, podemos ajudar o cérebro a agir com mais coerência, afinal, hoje, estamos imersos numa loucura de informações por ‘nano segundo’. Durante o banho, o corpo e a mente, sozinhos, esfriam e se acalmam. Acalmam? Bom, pelo menos, se (re)organizam memórias e emoções, segundo o Prof. Iván Izquierdo. É uma espécie de preparação para enfrentamentos no mundo porque há ruídos demais dentro e fora de nós. São ruídos complicados porque não nos dão a chance de entender e, muito menos de nos explicar. São ruídos das regras na família, na amizade, no amor, na escola, no trabalho etc. E não há separação: é tudo ao mesmo tempo agora a cada 24h de vida. Por isso, humanos anseiam pelo silêncio disfarçado em palavras como liberdade, meditação, espiritualidade, ginásticas, hobbys etc. De outra forma, ao sermos atingidos pelo som de uma fala, um gesto, uma leitura, seguramente, perdemos o direito de escolher porque tudo é avassalador e excessivo. Num click, num ato, numa situação, uma decisão, qualquer decisão, e só as consequencias serão pensadas e (re)pensadas. Mas, na solidão do banho, posso tudo, inclusive me desconectar do que ‘devo-ser’ e encontrar ‘quem-sou’, sem as restrições do contato com o Outro. É um momento temeroso, reconfortante e sedutor. Desculpem, mas o olhar do Outro agindo o tempo todo é um saco! Nos meus pés sinto passar mais do que água e sabão, mas minhas descamações cujo resultado é um grande sorriso. A água corrente continua caindo em mim e sigo aprendendo. Uma palavra a ser pensada também é autodisciplina. Como assim autodisciplina? Estabelecer hora e lugar para o silêncio das coisas? De novo estabelecer uma forma de controle? Quem sabe? Qual seria a possibilidade de escapar deste redemoinho? Enquanto procuro a toalha, penso em algumas propostas: segundo Iván Izquierdo, usar o bom senso; segundo minha amiga Marcela, abstrair-se; ou, segundo minha avó, cantar ‘babalu em grego’ e nunca parar de se/me experimentar no mundo e nos Outros. De qualquer forma, no silêncio ou no barulho, preciso de toalha, roupa limpa e um próximo passo.

SALVE JORGE!!!!

Profa. Claudia Nunes

quarta-feira, 21 de abril de 2010

NAMASTÊ interior

É tempo de despertar! Oliver Sacks e eu aceitamos esta regra: é tempo de despertar! Um tempo em que, suspeito, tomaremos, eu e Oliver, novos caminhos. Mas o passo neste sentido está em gestação. Ao olhar ao redor, o tempo tem movimentos bem mais lentos do que antes e algo nos diz ‘nada será como antes’. Mas quando? Quando o ‘antes’ será ‘agora’? Ou ainda, por onde? A expectativa cria uma angústia. Como? Onde? E os dias passam. Numa terça-feira, experimentamos outro olhar. Saímos do cotidiano e tentamos esvaziar o corpo para o ‘porvir’. Susto no shopping. Susto no metrô. Acostumados com o ambiente solitário do carro, nos submetemos a todo tipo de olhar no metrô. São mudanças de objetivos, de ponto de fuga. Nós estamos em silêncio e olhando para todos os lados. Não é medo, é gratificação: estamos no meio de todos. Em uma propaganda de rua, a palavra ‘namastê’ estampa nossa mente. Novo susto! A vida trazia uma benção. A vida saudava nossas novas aventuras no mundo real. Nós nos entreolhamos e sorrimos. Estamos felizes. No centro da cidade, nos despedimos e sigo meu caminho. Engraçada essa expressão: sigo o meu caminho. Quando eu fiz isso? O que me valeu fazer isso? Quais mudanças fazer isso me trouxe? Eu não sei, só sei que seguir era única forma de me encontrar. Cada caminho é resultado de uma escolha que dificilmente poderei me arrepender e com o qual deverei conviver, por isso, hoje, com certos cuidados, sigo o meu caminho. Ando de olhos fechados: é uma decisão. Quero sentir os sons, os movimentos e os cheiros desta cidade que não pára de me surpreender. Amo minha vida. Amo outras vidas. Amo saber que posso ser e ter outras vidas. Com amor no coração, assisto à palestra ‘Cultura – Espiritualidade: os caminhos da individuação’. Muitas sensações. Orgulho da amizade. Prazer do reconhecimento. Felicidade pela conquista do Outro. Expectativa pela passagem do tempo. Esperança de sucesso. Tudo decorre bravamente para a louvação. Mas internamente sofro. Minhas angustias são discutidas numa história, numa análise e na expressão dos conteúdos. Presto atenção, é o máximo de comportamento que me dou ao direito. Presto atenção porque, mais do que revelação, tenho a capacidade de entender que ouvia como entender meu ‘touro’ atual. Ao meu olhar, o significado ou o esclarecimento advinham de gestos fortes, tonalidade de voz sedutora, afirmativas contundentes e muitas questões oferecidas para colar em minha ‘sinistra’ individuação. Depois de Oliver, Jung me atinge e exige novas ações de vida. A platéia, incomodada, fala baixinho, lembra e chora. Como assumir a cultura do perdão como forma de nova espiritualidade? A vida já tem (ou já está em) curto prazo, então como passar borrachas em intransigências, grosserias ou indiferenças tácitas? Eu não me mexo. Como sempre, aparece o pavor de chamar a atenção. Estou imersa em mim e atrás do meu ‘touro’. Amizade é um santo remédio! Na sala, todo o mundo rodopiou, a palestra era só pra mim. Eu precisava sair do esperado, precisava descompor minha neblinas construídas, boa parte, por projeções de outros. É uma cerca com brechas, mas é uma cerca. Serei eu uma camuflagem? Ou como escutei uma vez, um blefe? Cada palavra, toque de olhar e expressão fácil montam um quebra-cabeça de ideações de superação (abandono) de minhas inseguranças e inquietações. Como não posso brincar de adivinhações, espero um novo dia sem tantos egoísmos.

Profa Ms Claudia Nunes

10 coisas que nós nao sabemos sobre o CÉREBRO

Uma coisa estranha é que nosso cérebro falha em entender o funcionamento dele mesmo! Desde o tempo dos egípcios tentamos entender como esse órgão misterioso opera e buscamos saber o que há, afinal, entre nossas orelhas.

Mas não podemos dizer que não fizemos progresso nenhum. Aliás, confira essa lista com 10 coisas incríveis que você não sabia sobre o recheio do seu crânio:

1. O cérebro humano é enorme: parece estranho dizer isso quando estamos tão acostumados com o tamanho de nossas cabeças. O peso médio de um cérebro adulto é de 1,4 quilos. Alguns neurocirurgiões descrevem a textura dele como “pasta de dente”. Mas não é uma analogia muito exata, já que o cérebro não se espalha como pasta de dente. Uma comparação mais cabível seria com tofú (queijo de soja). Ainda não está encantado com a descrição? Então saiba que, se algum dia você resolver colocar um cérebro no liquidificador quase irá conseguir preencher uma garrafa de refrigerante de dois litros com o conteúdo.

2. Mas os cérebros estão diminuindo: mas não fique convencido por conseguir encher uma garrafa de Coca-cola com seu cérebro. Os humanos de cinco mil anos atrás possuíam ainda mais massa cinzenta. Arqueólogos sabem que os cérebros “antigos” eram 10% maiores baseados em “múmias” que eles encontram ao redor do mundo. Ainda não se sabe porque os cérebros estão encolhendo, mas alguns teorizam que é uma evolução para que fiquem mais eficientes. De qualquer forma, o tamanho do cérebro não é documento – segundo pesquisadores, o tamanho não é proporcional à inteligência.

3. Nosso cérebro queima energia: ele pode representar apenas 2% do peso do nosso corpo, mas usa 20% do oxigênio do nosso sangue e 25% dos açúcares que circulam no organismo. A hipótese aceita para os cientistas é que a evolução do cérebro foi causada por mudanças climáticas, competição social e uma dieta baseada em carne (já que os nossos ancestrais precisavam caçar seu alimento).

4. Rugas nos tornam mais espertos: qual é o segredo da inteligência dos humanos? Acredite ou não, a resposta pode ser algo tão improvável quanto rugas! Mas não estamos falando dos pés de galinha de sua tia e sim de fissuras cerebrais chamadas de sulcos. Elas ficam no córtex cerebral – região que contém cerca de 100 bilhões de neurônios. Como o cérebro é enrugado ele tem mais superfície em um espaço menor, o que gera a possibilidade de termos mais neurônios mesmo em uma área menor.

5. A maioria das células do cérebro não é de neurônios: aquela história de que usamos apenas 10% da capacidade de nosso cérebro é balela, mas estudos mostram que 10% é o número de células do órgão que são neurônios. Os outros 90% são de glia (que significa cola, em grego). A glia seria um material que une os neurônios, mas estudos recentes mostram que ela pode ser muito mais – elas podem modular o crescimento e o funcionamento das sinapses, além de oferecer proteção para elas.

6. O cérebro é um clube exclusivo: ele também tem seguranças na porta, para que nem todo mundo possa entrar. Células do sistema sanguíneo do cérebro só deixam proteínas e substâncias necessárias entrarem. O problema é que isso não funciona só como proteção. Muitas vezes importantes medicamentos são mantidos fora do cérebro quando deveriam ser absorvidos por ele.

7. O cérebro começa como um tubo: o cérebro começa a crescer cedo. Três semanas após a concepção uma camada de células embrionárias forma o tubo neural. É só no terceiro trimestre de gravidez que o cérebro do feto começa a se parecer com um cérebro normal.

8. O cérebro dos adolescentes não está completamente formado: e não é conversa de pai careta. Parte da atitude rebelde dos adolescentes vem do fato que o cérebro deles ainda está em formação. Algumas mudanças dramáticas acontecem na parte frontal do cérebro, responsável pela opinião e pelas decisões.

9. Eles nunca param de mudar: o cérebro é uma metamorfose não-ambulante. Quando ele alcança a idade adulta ele não para de se desenvolver, por que isso significaria que você não pode fazer mais nenhuma conexão neural –ou seja, não poderia aprender. Como estamos aprendendo todos os dias, o cérebro também muda um pouco todos os dias.

10. Mulheres não são de Vênus e homens não são de Marte: é óbvio. O que queremos dizer é que os cérebros de homens e mulheres não são muito diferentes. Os hormônios de cada organismo afetam o desenvolvimento do cérebro de alguma forma (mulheres são mais sensíveis e homens mais estressados, por exemplo), mas o efeito do sexo no comportamento é muito pequeno – próximo a zero, de acordo com uma análise da Associação dos Psicólogos dos EUA.

Fonte: http://hypescience.com/10-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-o-cerebro/

domingo, 18 de abril de 2010

Palestra: CULTURA - ESPIRITUALIDADE

Palestra: CULTURA - ESPIRITUALIDADE: O caminho da Individuação

Profa Ms MARIA CRISTINA URRUTIGARAY
Psicologa, Analista Didata da Associação Junguiana do Brasil,
Arteterapeuta, Membro da IAAP

Endereço: CLUBE NAVAL - Av. Rio Branco, 180, 5º andar
                Centro - Rio de Janeiro

Data: 20/04/2010

Horário: De 14h às 16h

Entrada GRATUITA

NÃO PERCAM!!!!!!!!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Culpada? Nossa eterna ATARAXIA!


Depressão é nosso ‘mal do século’! Nós desconsideramos nossas limitações e diante de um susto como as últimas chuvas no Rio de Janeiro, ficamos frente a frente com nossa imensa fragilidade. Para além do corpo, encaramos a certeza de uma fragilidade com muitos adjetivos: social, política, psicológica, comportamental. É triste... Foi triste... Está sendo aterrador...

Segundo Manzano (2010), o filósofo Pascal inicia uma busca entre emoção e razão, mas, na prática, o que vimos e o que vemos é uma profunda indiferença, um profundo descaso sobre a Natureza e seus desígnios, por princípio. Mantemos um olhar firme sobre os próprios pés e afins. Caminhamos acreditando que conceitos como ética, moral, verdade, cuidado e respeito não têm praticidade e nem trazem bens materiais ou conforto financeiro. Daí não prestarem para nada. Logo, em nossa pretensa ação de visibilidade procuramos o estrelato e não qualquer aglomerado de asteróides.

Diante de nosso raciocínio plasmamos em nossa genética a idéia de que temos (ou podemos ter) respostas para tudo porque tudo só existe a partir da nossa existência. É muito abuso! Com essa idéia, cada vez menos nos sensibilizamos ou exploramos nossa inteligência a serviço da cooperação, colaboração ou solidariedade no cotidiano.

A sociedade em geral reclama das desigualdades. Os detentores do poder político discursam textos amplamente subjetivos. As instituições mais importantes como família e religião apresentam-se com diversos antolhos. Logo, no barco que nos carrega pela vida, estamos seqüestrados de atitudes transformadoras do real porque nos falta ferramentas como articulação, reflexão, entendimento, conhecimento e pensamento sobre passado, presente ou futuro das próprias comunidades e da sociedade.

Como aconteceu ao Titanic, a humanidade imerge num grande caos com velocidade. Não há nada previsto por Nostradamus ou no Apocalipse, não se enganem, sofremos as conseqüências das ações da própria humanidade e o melhor que podemos fazer é nos aterrorizar e entristecer diante dos acontecimentos. Manzano (2010) afirma que ‘nunca se desprezou tanto a questão afetiva’ e ele tem razão. Até nossas doenças tomaram outros rumos e ganharam novas nomenclaturas, como depressão, síndrome do pânico etc. No bojo disto ainda convivemos com ‘friezas, superficialidade nas relações interpessoais, estresse’, o que, de acordo com Manzano (2010), são ‘sinais de uma sociedade doente emocionalmente’.

Por que será? Porque nos percebemos ao relento de qualquer qualidade de vida. Porque fomos obrigados a assumir nossa incompetência organizacional. Porque estamos sendo ceifados da Terra às dezenas a cada minuto do relógio. Desta forma, ‘as pessoas, cada vez mais se isolam e se sentem cada vez mais sozinhas’. Desta forma, só as hecatombes (terremotos, aguaceiros, avalanches, por exemplo) nos despertam de um crescente ‘embrutecimento e insensibilidades atuais’ e nos convocam a reconhecer a presença do Outro como um ser em necessidade e/ou como espelho de nossas próprias incapacidades.

Quando fomos iluminados por uma genética que nos fez pensar, solucionar problemas e criar; quando fomos presenteados com habilidades mutantes e competências híbridas em meio às tantas relações/redes que construímos; também deveríamos entender (e aceitar) que somos incompletos, inconstantes e que ainda não chegamos ‘ao ápice de nosso desenvolvimento’. Esta seria nossa atitude de sucesso/salvadora, porque envolveria ‘o reconhecimento de nossa limitação’ e nos ajudaria a ‘repensar nossa existência’.

A sensibilidade de hoje é inócua, desculpem. Ela será sobrepujada (já está sendo) por novos dias com mais sol, seguidos de novas (outras) notícias como Copa do mundo, Olimpíadas, Eleições, Corrupções, assassinatos torpes dentro outros. Neste ínterim, as comunidades atingidas abruptamente pelas avalanches de terra continuarão soterradas em problemas e por promessas ambíguas ou irrealizáveis, porque aproveitando Manzano (2010), estamos nos renovando dentro de um estoicismo exacerbado, ou seja, dentro de uma ‘grande indiferença quanto aos diversos problemas da vida, o que eleva a grandiosidade do homem, que uma vez pautado pelo seu lado racional, pode se sentir ileso a qualquer problema de vida’. Então, ‘o máximo que temos é uma relativa comoção que não se aprofunda’ porque seu acontecimento tem limites.

Em tempos de religações intensas com o astral, os deuses ou Deus, a culpada das nossas mazelas pode ser nossa indiferença (‘no grego, chamado ataraxia – ausência de preocupações, impertubalidade’). Descartamos do processo o entendimento e solução dos problemas, a emoção, como se esta pudesse nos levar a recantos e situações sem perdão.

O estoicismo e Rene Descartes criaram uma marca profunda em nossa massa encefálica e em nossa memória: de um lado, a razão; de outro, a emoção. Com isso ‘esfriamos a cabeça’, tendemos a acreditar que sucesso e conquista acontecem quando ‘colocamos a cabeça no lugar’. Uma pena..., pois, com isso nos desconectamos da verdadeira solidariedade, aquela que se faz todo dia, aos poucos, mesmo aos desconhecidos e sem olhar a quem.

O jogo de desvalorização da vida precisa ter um fim. Tanta racionalidade, criatividade, tecnologia, leis e ainda menosprezamos todo e qualquer capital intelectual e humano instalado ao nosso lado todos os dias. Há um ‘mecanicismo no qual os próprios seres humanos caíram’ e agora não há escadas para voltar, tendo em vista que ‘nunca se acreditou tanto na superioridade do homem’.

Diante dos fatos ocorridos em São Paulo, Santa Catarina, Rio de janeiro e, agora, Salvador (além do Haiti e China) observou-se o quão de lado estão os homens, seres humanos, que não tiveram a oportunidade de desenvolver o mínimo de sua capacidade racional; e, por conseguinte, mesmo com tantos avanços, o quanto a humanidade não se superou em termos de ‘problemas básicos, como a fome, o analfabetismo, a distribuição desigual de renda entre outros’.

O que se grita, no século XXI, é por equilíbrio, ou algo que, pelo menos, funcione como referência tranqüilizadora às diferentes populações; algo que alcance a imaginação coletiva como zona de conforto em situações de revés, por hábito. Eu acredito que este algo seja o ACESSO. Acesso com mínimos limites ou recortes. Acesso à informação, aos direitos, á cultura e lazer, aos estudos, à saúde. E, principalmente, por agora, o acesso á morte e moradias dignas e sem estampamentos nas páginas dos jornais.

Estou chateada. A humanidade fede!

Referência:
MANZANO, Rodrigo dos Santos. Por um resgate da sensibilidade. Filosofia, Ciência & Vida, nº 45, ano 2010, p. 18-26.

Profa Ms Claudia Nunes

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DUAS IDADES

Hoje eu estava pensando em relacionamentos. Engraçado né? Todo mundo quer independência, mas quase todo mundo deseja parcerias de vida... e parcerias de vida inteira! Desde cedo, há todo um esquema social montado ou pré-moldado para o acontecimento de determinados eventos de vida. Estou dirigindo pela orla do Flamengo e vejo, passeando, diversos casais arrulhando como pombos. Interessante é que se você se aproxima tem a nítida sensação de que ou o amor tem limites, ou não há peles compromissadas. Os olhares estão turvos e o calor das ações são realizadas com pouquíssimos encantamentos. Não me interesso mais por questões de gêneros, acredito no bem estar, mais do que na felicidade. Então, por que as pessoas aceitam ficarem juntas apesar de qualquer coisa? Não sei, nada me vem à memória. A idéia parece ser curtir, ficar, namorar. Ambos de alguma maneira confiam desconfiando, mas seguem de mãos dadas pelos dias supondo o próximo prazer. Meses ou anos tornam-se tempos que não refletem estabilidades a ninguém, mas o ideal é TER alguém. Parei e estacionei numa praça com carrocinhas de sorvete. Estou com um dilema: o que essas pessoas sentem? Onde apontar a emoção da paixão? Difícil... Um casal de idosos chama a minha atenção. Ela chora. Ele olha para o nada. Ela olha para dentro. Ele olha para o outro lado. Ficam ali, sentados, sem reação, mas abraçados e se amparando. O que será que aconteceu? Eu precisava saber: o que será que houve? Imaginei: depois de anos, eles descobriram novidades do corpo e da mente. Nas peles enrugadas e nos cabelos em neve, todo o esforço para construir uma história. Foram amantes de outras pessoas e, na ponta da vida, se comunicam, dialogam sobre o que não puderam ser. Suas histórias hoje causam dramas esquisitos. Eles não se conheceram nunca? O que teria acontecido? Orgulho? Vingança? Esperança? Solidão? Os velhos choram uma vida de esguelha. Do meu banco, eu via um rito de passagem para o mundo real. Discretamente, levantei e me aproximei. Ao invés de triste, eu estava empolgada com a possibilidade de saber. É infantil, bobo, cruel, mas por que não? Escuto uma última frase: ‘... volte a pensar em nossos filhos...’ Era uma decisão? Era um lamento? Era um pedido? Dois idosos sofrendo os desagradáveis efeitos de uma vida sem ternura. Dois idosos repensando seus pontos de contato. Dois idosos pensando em (re)proteger seus desejos e pensamentos com novos recursos ou disfarces. Todas as pessoas utilizam seus imaginários para suspender suas crescentes frustrações ou depressões. Seus sonhos ganham existência como defesa. Tal e qual uma bengala, os dois idosos são personagens em vôo alto, muito alto, de um mundo que se esqueceu do ritmo das idades e suas formas de envolvimento. Sinto uma tristeza absurda. Do nada, um sorriso compreensivo do homem ‘acarinha’ o meu coração. Seus braços entornam o corpo da mulher como se tocasse algo luxuoso demais. Levanto, saio e penso, ‘ninguém pode satisfazer ninguém plenamente’. Oh imaginação!

Profa Ms Claudia Nunes

terça-feira, 13 de abril de 2010

A geração Y na mira do Marketing

Por Marcus Calliari
http://www.focoemgeracoes.com.br/index.php/2010/04/12/a-geracao-y-na-mira-do-marketing/

O jovem de hoje é nitidamente mais falado do que o das outras gerações. Tornou-se pauta de reuniões corporativas, alvo de milhões de campanhas de marketing e motivo de estudos desenvolvidos no mundo todo. Por causa dele, empresas estão se especializando, enxergando a necessidade de adequar seus produtos e de, até mesmo, mudar seus modelos de gestão.

A agência Namosca é exemplo disso. Especializada em marketing para jovens, pesquisa diariamente sobre as tendências da nova geração, que está determinando mudanças representativas no mundo corporativo. E para entender um pouco mais de tudo isso, o Foco em Gerações foi falar com Marcos Calliari, um dos sócios da agência, que está há mais de 15 anos nos segmentos de marketing e negócios.

Formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), com MBA na USP e na INSEAD (França), e atual professor do MBA do Ibmec, Calliari fala com propriedade sobre seu novo e tão falado cliente: o jovem.

Você trabalha numa empresa focada em marketing para o público jovem. O que você acha que muda na forma de se trabalhar para este público? Que método utilizam para entender esse comportamento?
A comunicação com o jovem de hoje é diferente de tudo o que sempre foi feito em estratégia mercadológica, em termos de forma e conteúdo. É uma geração com diversas especificidades e idiossincrasias, e acho que a principal mudança é que não há mais fórmulas prontas. Cada projeto é completamente diferente do outro e demanda aprofundamento específico, o que não é habitual nas agências tradicionais. Outro ponto importante é a necessidade de estar presente não apenas em um canal de comunicação ou ponto de contato. Assim como essa geração está acostumada a lidar com muitos estímulos simultaneamente, as organizações que querem falar com ela também devem considerar essa multiplicidade.

O ponto de partida deve ser o conhecimento profundo do público com o qual você deseja interagir. É preciso entendê-lo, saber o que pensam, o que os influencia, o que fazem, o que não respeitam. Apenas a partir desse conhecimento, que é conseguido por pesquisas de mercado, observações etnográficas, encontros periódicos com jovens líderes em suas áreas de atuação e de muita convivência com o target, é que podem vir as propostas e ideais.

A sua palestra no TEDX tinha como temática “O que influencia os jovens.” Dessa forma e diante de sua experiência, o que você acredita que influencia primordialmente o jovem de hoje? Você fala bastante dessa geração conhecida como Y. Do seu ponto de vista, como é possível definir uma geração?
A abordagem geracional evidentemente não propõe que todas as pessoas nascidas em determinada época sejam iguais. Mas sugere que todas são submetidas a uma série de influências conjunturais e de relacionamento com as demais gerações que certamente servem para contextualizar seu desenvolvimento e sua vida. Entender essa abordagem é uma ferramenta riquíssima para a compreensão dos rumos e atitudes dos grupos ou mesmo dos indivíduos. Em nossa experiência, o que vemos é que das muitas influências que agem sobre o jovem de hoje (o imediatismo, a falta de resiliência, a inclinação para o questionamento, a vontade de ser ouvido, a segurança e otimismo, por exemplo), poucas exercem influência nos indivíduos a ponto de alterar seu comportamento e ditar crenças. Isso garante que temos pessoas completamente diferentes entre si, mesmo estando dentro de um mesmo espectro de influências geracionais.

Você falou na importância das empresas se reinventarem para receber essa geração. O que acha que falta para as empresas poderem se adequar a este novo profissional?
As bases do modelo corporativo que perduram até hoje foram desenvolvidas em fundações que são intensamente questionadas pela nova geração. Horários rígidos, hierarquia, falta de autonomia, tarefas individuais, são algumas das premissas de difícil aceitação por jovens que cresceram com características diferentes dessas. Para muitas das empresas, portanto, a nova geração de profissionais pode trazer mais problemas do que soluções, já que inevitavelmente testarão seus limites dentro das organizações. Se as empresas aceitarem que algumas das regras podem ser mudadas sem sacrifício da cultura ou dos resultados da empresa, maior será a probabilidade de que esses novos profissionais, que são extremamente bem preparados em termos de formação e pró-atividade, tragam ainda melhores resultados e sintam-se cada vez mais motivados.

Por que você diz que essa geração não tem medo de mudança? O que trouxe esse novo comportamento?
Inegavelmente as mudanças acontecem muito mais rapidamente, sejam elas de cunho político, informativo ou cultural. Essa geração cresceu com uma velocidade de vida maior, portanto mais adaptada às mudanças.

Você afirma que essa geração quer se divertir, busca isso no seu dia a dia e mesmo no trabalho. Por que acha que isso acontece mais do que nas outras gerações?
Essa é uma geração que não perde tempo com tarefas pelas quais não se interessa. Em função da velocidade com que esses jovens acessam estímulos e pela quantidade de ações simultâneas que empreendem, certamente, aquelas atividades que sejam capazes de engajar o indivíduo serão preferidas.

Como é possível promover a interação entre as diferentes gerações, principalmente no ambiente de trabalho?
Esse é o maior desafio organizacional do começo do século, e objeto de muita discussão e estudo. Mas o primeiro passo certamente deve passar por uma flexibilização de processos e meios de interação por parte das empresas, revendo a metodologia de trabalho, progressão de carreira e incentivos.

Sabe-se que a geração Y já compõe grande parte da força de trabalho nas empresas, assumindo, inclusive, cargos de liderança. Você acredita que essa geração possui maturidade e expertise suficientes para ocupar tais funções?
Impossível generalizar, há indivíduos que estão preparados e outros que não estão. O que parece claro é que o estilo de liderança exercido por esses novos profissionais será muito diferente do usual – muito mais flexível, incorporador, agregador e focado em resultados.

Tags: Geração Y, líderes, Marcos Calliari, Marketing, tendências
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Nada nunca é igual

  Nada nunca é igual   Enquanto os dias passam, eu reflito: nada nunca é igual. Não existe repetição. Não precisa haver morte ou decepçã...