domingo, 15 de agosto de 2010

SINAIS DO AMOR

Domingo de muito frio. Frio traz certa melancolia e preguiça ao corpo. Mesmo as pessoas mais felizes preferem a quietude do lar e a quentura do cobertor. É um dia para o silêncio de si ou para o amor mais lento, mais simples, mais sensível com o Outro. E o dia segue arrepiando a pele vez por outra de qualquer jeito...

Num domingo de muito frio, é o coração que ‘fala’ mais alto. Amor em todos os poros sobre os outros e nossos tantos assuntos da semana; ou sobre ‘UM’ outro seja real ou imaginário. Todo o conjunto do que se chama ‘romantismo’ se materializa. Num dia maravilhoso de frio, nosso coração está amoroso e é puro desejo.

Ainda assim, um dia de frio deve ser o início de atenções à atividade que começa a vibrar nas veias e através do sangue. O ritmo está mais lento, é certo, mas é possível sentir momentos sem cor ou espaços vazios nesta corrida de vida. O que fazer? Vozes ao lado dirão: ‘supere!’, não adianta. Vozes do passado afirmarão: ‘experimente!’, é tarde. Vozes dos sonhos lembrarão: ‘acredite!’, é estranho. Vozes do medo suspirarão: ‘cuidado!’, é assustador. O que fazer? Hoje, num dia de frio, é simples dizer: sinta o coração!

O coração pesa cerca de 283 gramas, é um músculo cheio de sangue e se tornou o símbolo universal do amor. Os gregos acreditavam que o coração era a sede do espírito; os chineses o associaram ao centro de felicidade e os egípcios acreditavam que as emoções e o intelecto surgiram a partir do coração. Ninguém sabe ao certo a origem exata da associação do coração ao amor, no entanto, é essa a idéia mais quente que temos; é essa a idéia com qual nos agarramos com fervor.

Fora uma caneca de chocolate quente, à tarde, num dia de frio, acreditamos que o amor é coração. Desde a Grécia antiga, na cidade de Cirene, conhecida por uma planta chamada ‘Silphium’, com casca de semente em forma de coração, que é assim que pensamos: o coração é amor.

Mesmo assim, o coração é complexo porque agüenta muitas emoções e tem mistérios incríveis, então, num dia de frio, é bom tentar preencher os vazios e aceitar o que está no ar: o amor. Ninguém vive sem amar. Não falo só de beijos na boca em momentos de êxtase no corpo e na alma, falo de amar com carinho, por solidariedade, por amizade, para sorrir, com saudade, pela lembrança, num grande abraço, com licença, por um ‘bom dia’, no toque, no torpedo, no scrap, no telefone, os estudos, o trabalho, o vizinho, seus livros, sua solidão, seu cobertor, a si mesmo, sua vida.

Ninguém vive sem amar mesmo porque amar é resultado de nossas escolhas. E este resultado tem o tempo da vida para acontecer. Nós temos problemas com o tempo porque esquecemos que ele (o tempo) não é nosso, tem humores e acontece quando deve ser. Hoje, agora, amanha, à tarde, são adjuntos de tempo e como adjuntos complementam os fatos e não pode ser supostos ou previstos na ação do sujeito. Logo, o que melhor fazemos, então, depois de ‘ontem’, é permanecer sonhando e desejando... E o coração mantém sua bombástica relação com a vida.

Homem ou mulher, não importa, o coração é ardente das emoções e, por isso precisa ser bem interpretado, por exemplo:

a) orgasmos três vezes por semana diminuem a probabilidade de morte por doença cardíaca coronária, logo o mundo é nosso;

b) decepção amorosa sugere um kit renovação coronária: choro, amigos, novos amigos, novo guarda-roupa, corte no cabelo e novos olhares, a vida não espera;

c) métodos de conquista atualizados modificam o ritmo do coração: são mais hormônios, algumas distrações no dia a dia e um grande sorriso eterno, cada passo é no escuro mesmo;

d) cuidado com ‘coração’ grande demais, além de indicar problemas cardíacos, pode atrair gente espaçosa e sem limites: mesmo no amor, vez por outra, apresente (e seja) você mesmo (a), é uma questão de respeito;

e) rugas na testa ou nas laterais da boca é sinal de coração sério e duro: relaxe e sorria do nada: num ataque de riso, o revestimento das paredes dos vasos sanguíneos é desobstruído pelo fluxo de sangue por até 45min, não se blinde, gargalhe;

f) amor com um cálice de vinho por dia é antioxidante e cria momentos de puro suor, demonstre atitude;

g) movimento do corpo para todos os lados, sozinho (a) ou acompanhado (a), ao longo do dia, pode fazer o coração bombear 2.000 litros de sangue, afoguear suas fantasias e tornar suas noites impressionantes, abra espaço às surpresas.

Enfim, aceitemos Djavan: ‘um dia frio, um bom lugar pra ler um livro, um pensamento lá em você...’, seja ‘você’ quem for ou o que for...

Referência:

Ms Profa Claudia Nunes

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