sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

VIRADA DO ANO e algumas opções


Virada de ano. O futuro está em cena. E as crenças também. O mágico está no ar e este faz parte da natureza humana. Apesar dos pesares, nós acreditamos em um novo tempo de transformações porque mudanças de 2019 a 2020. É uma virada, outra atenção, nova oportunidade, certeza de mudança geral. Nós, seres vivos humanos, não gostamos de dúvidas ou incertezas; por isso, talvez, pensamento crítico seja tão complexo e difícil. É tempo de acreditar seriamente no divino, no ‘religare’, na idéia de que energias que apenas sentimentos trarão novidades extremamente positivas. É algo evolutivo. Nós sempre acreditamos em justiceiros, pajés, curandeiros, religiões diversas etc. que ajustam nosso destino e enviam mensagens variadas. Na virada de ano, nós temos um momento de salvação e de sobrevivência. E, sem perceber, nós acreditamos em tudo como se fossem profecias autorrealizáveis. As mudanças virão logo e, de preferência, sem esforço e rápido. Segundo Michael Shermer (autor do livro ‘Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas. JSN, 2012), somos animais sociais e, como herança evolutiva, o cérebro foi programado para reconhecer animais escondidos na paisagem e isto significava a diferença entre a vida e a morte. O que muda é o tipo de magia, de acordo com a evolução social, e todas influenciam o destino das pessoas. É o tipo de engano que as pessoas gostam: de novo, sobrevivência. É um tipo de comunicação que ajeita tensões, estresses, angustias e necessidades. Nós esperamos e esperançamos desde sempre. Ainda assim, uma pergunta: você merece? Antes de se jogar em futuros mágicos, faça um levantamento pessoal do SEU ano anterior e responda: você merece? Mesmo no território da magia, conquistas precisam ser merecidas tanto a partir do esforço próprio, quanto a partir das energias divinas. E ai nova pergunta: ano novo, pessoa nova, você encara? Você se encara? Somente você tem poder sobre sua vida a ponto de fazê-la mudar para melhor ou apenas ao ponto de fazê-la mudar. Conselho: para concretizar metas de início de ano, as mudanças precisam ser pequenas e constantes. É o pensamento macro que lhe derruba, lhe distrai e muda seu foco. Quer opções? Opção 01: compre um grande pote de vidro; em post-its, semanalmente, anote tudo de bom que lhe acontecer; ao final do ano, perceba como coisas boas importantes lhe aconteceu, apesar de pequenas. Opção 02: compre um pote menor, anote pequenos desejos para o ano e os releia ao final de cada semana. Opção 03: compre um pote médio ou pequeno caderno e escreve frases afirmativas, como: ‘eu quero fazer / ser isso... hoje / agora’; ‘eu consigo...’; ‘eu vou...’; ‘eu estou...’; ‘eu sei...’; etc. Em cada semana você perceberá que seus pensamentos e atitudes entrarão em harmonia e as realidades almejadas acontecerão. Mudanças ocorrem aos poucos e, muitas vezes, de forma inesperada. Pensamentos estranhos ou indecisões também ocorrerão. É hora de respirar e analisar o momento. Passos adiante exigem boas avaliações e algumas estratégias realistas. ‘É a hora certa?’; ‘Você precisa fazer isso?’; ‘É importante ter razão?’; ‘Dá para deixar para lá?’; etc. Lembre-se: vez por outra, rotinas e padrões precisam de outras rotinas e padrões mais pontuais e sinceros. Essa é a complexidade da vida humana.
Profa Claudia Nunes

MUNDO VIRTUAL e os exemplos



Em férias, leio vários jornais e venho percebendo que, mais do que nunca, o mundo virtual segue sendo culpabilizado por diferentes comportamentos, principalmente, relacionados às diversas formas de relacionamentos. Uma pena! A realidade de cada um é imprevisível. As dinâmicas sociais e familiares estimulam as memórias de maneiras diferentes. E o mundo virtual é um dos recursos apresentados aos mais jovens, bem jovens, por múltiplas razões. A capacidade de modificação das atenções, memórias e linguagens pode ocorrer a partir da utilização de diferentes recursos e inserção em diferentes mundos. Talvez o grande desafio sejam os EXEMPLOS. Estes estabelecem conexões mentais que, junto à genética, criam a singularidade comportamental de cada um. Nós vivemos tempos incertos. Pais navegam em terrenos movediços. E a realidade segue moldando passos, emoções e decisões de maneira particular. Não podemos adivinhar o que acontecerá nos futuros infantis e juvenis. É possível sim agir com mais empatia, harmonia, diálogo e firmeza para gerar exemplos aos olhos infantis e juvenis. O mundo virtual é um mundo imprevisível e extremamente aberto às necessidades e desejos de todos; isso ‘alimenta’ nosso sistema de recompensa (prazer), diante de um mundo real mais tenso, violento, desequilibrado e veloz. Ou seja, o mundo virtual é procurado por uma questão de sobrevivência e os pais têm essa percepção, daí, de novo, e de forma intensa, protegem suas crias e proteção tem uma relação direta com o mundo virtual. Em desenvolvimento, os mais jovens aprendem, pelos exemplos e oferecimentos físicos (objetos), a usar o mundo virtual livremente; e, com a consciência tranqüila, os pais criam personas quietas, isoladas, com pouco traquejo social e com problemas emocionais quando frustradas. Será um problema do mundo virtual? Não! É problema do USO, sem limites e controle, do mundo virtual, enquanto os mais jovens estão em processo de desenvolvimento. Pela natureza imprevisível das realidades, o uso dos tantos recursos sociais (incluindo o virtual) incorre na certeza de que vivemos em mundos completamente não lineares e desconhecidos. Lógico que nós, seres vivos humanos, queremos que tudo faça sentido e que as aprendizagens sejam de maior qualidade acreditando num ‘futuro melhor’ e mais solidário. E como o mundo virtual sugere a presença do caos, daquilo em que, vira e mexe, não se tem controle, nós não pensamos em mudar a dinâmica do processo de criação / aprendizado; nós criamos um medo e desse medo, apontamos culpados e recheamos nossos pensamentos com ‘leituras’ que nos confortem: o mundo virtual é o vilão dos maus comportamentos ou dos mais inadequados. Eisenhower (Dwight D. Eisenhower, presidente americano entre 1953 e 1961) disse: planos são inúteis, mas planejamento é tudo. Pais, não culpem este ou aquele recurso pela dúvida sobre os comportamentos de suas crias; tais recursos sempre existiram / existirão; então, criem planejamentos mais flexíveis. Eles são indispensáveis, justamente porque, em sua construção, e, em cada tempo etário, há avaliações sobre o desenvolvimento e atuações dos / nos vários cenários possíveis de vivência e convivência dos seus mais jovens, incluindo todos os recursos e mundos aos quais eles terão acesso.
Profª. Claudia Nunes (05.01.20)

Pensando em Neurociência: pensar tecnologia e sensação de pertencimento




Pensar em neurociência e, basicamente, em neuroplasticidade (propriedade que todos os sistemas neurais tem, de modificar-se dinamicamente na interação com o ambiente – Lent, 2019, 15) é pensar no funcionamento do encéfalo ou mesmo pensar no sistema nervoso sendo constantemente estimulado e tentando se adaptar a esses estímulos sem trégua. Vamos pensar nessa tecnologia.

Diante das mídias virtuais, nosso encéfalo teve suas engrenagens aceleradas. E aceleração constante, em muitos casos, estabelece diferentes formas de memorizar, mas também tipos de compulsão e/ou vício. Não são os jovens que não sabem viver sem as mídias digitais; todos nós assimilamos sua funcionalidade, sua facilidade e sua comodidade; e não sabemos mais viver sem elas.

A expressão do corpo entre outros corpos; ou do corpo em diferentes territórios ao ar livre foi reconfigurada; às vezes, fica lentificada; ou mesmo, é ignorada. Nós somos viciados digitais: é prazeroso; é cômodo; não há perda de tempo; resolvemos múltiplas situações; decidimos relações e relacionamentos; incluímos mais trabalho; sentimos mais segurança; vivemos amores e amizades; etc. Nós nos sentimos produtivos!

Nós somos viciados digitais e... transtornados. Não podemos apontar dedos aos nossos jovens. Segundo os mais velhos “quando o pequeno faz é porque o grande já fez”. Ou seja, em uma leitura mais distorcida, somos O EXEMPLO do vício que apontamos em nossos jovens. Então nesse caso, por que proibir seu uso na escola tão radicalmente? Celulares e tablets são recursos! Eles são objetos da sociedade. Todos nós os usamos o tempo todo, então por que proibir seu uso na escola tão radicalmente?

A ênfase na palavra ‘radicalmente’ significa que jovens não podem sequer pegar no celular ou tablet porque serão apontados, olhados de mal jeito, repreendidos e até estigmatizados. Há sim a lógica da construção dos limites, do respeito aos espaços, da manutenção das relações mais físicas etc. Mas mesmo assim todos estão sempre com celulares ou tablets em mãos. Por que não rever essa postura? Por que não pensá-los como recursos pedagógicos? Por que não entender que o mundo mudou e que TODOS nós somos viciados nessas mídias?

Em algumas conversas, algumas impressões: talvez os profissionais da educação ainda não os percebam como pedagógicos; ainda não os observem incluídos no desenvolvimento de aulas e projetos; ainda temam seu uso fora de um contexto ou padrão; ainda acreditem que serão eliminados (os profissionais) pelas suas presenças ou, de acordo com cada personalidade, que possam responder processos por determinadas posturas orais ou físicas.

Quando reconhecemos que somos viciados digitais, nós, profissionais da educação, devemos reconhecer que não há como eliminar tais objetos do dia a dia. No século XXI, nós não sabemos mais viver sem essas mídias digitais; logo, em diferentes setores, principalmente, na escola, devemos repensar conteúdos sendo aprendidos com a participação destes objetos, valorizando o saber aprendente e estimulando novos protagonismos. É uma forma de nós termos atenção focada, de trabalharmos emoções positivas, de aguçarmos imaginação e criatividade, e de convocarmos a amígdala (alerta) à sala de aula e às atividades propostas. Celulares e tablets, em sala de aula (composição de atividades) tornam-se fortes geradores da chamada “sensação de pertencimento” do aprendente, o que favorece aprendizagens de forma significativa e o desenvolvimento intenso das funções cognitivas e executivas.

Talvez, com essa atitude / pensamento / estudo, os profissionais da educação possam minimizar, por exemplo, a ascensão crescente das depressões relacionadas ao isolamento tecnológico; do distúrbio da dependência da Internet (IAD) ou da chamada ‘Nomofobia’ (nome dado ao mal-estar ou ansiedade apresentado pelos sujeitos quando não estão com seus celulares ou tablets), transtornos que desorganizam as emoções e as cognições, transformando drasticamente o sistema nervoso.

Segundo vários estudos americanos e ingleses, diante dessa situação, jovens tem, por exemplo, sintomas de abstinência tal e qual os dependentes de drogas ou de jogos. Além disso, na escola, quando focamos no aprendizado do adolescente, nós sabemos que proibições aguçam a vontade de quebrar as regras e esta pode causar diferentes prejuízos em âmbito escolar e pessoal. Desta feita, nós, profissionais da educação, precisamos estudar bem nosso tempo tão tecnológico para influenciar adequadamente os encéfalos aprendentes tão distraídos pelas múltiplas facilidades das mídias e com muitas dificuldades para controlar o tempo de acesso e imersão.

Pensar em neurociência na escola é pensar em reajustes nas emoções, na qualidade das cognições, no respeito aos contextos experienciados e, principalmente, nas novas formas de se comporem relações mais empáticas e resilientes.

Pensar em neurociência na escola é pensar mesmo em como seu aprendente aprende, mesmo diante do excesso de tecnologia virtual.

Pense nisso e se atualize!

Profª Claudia Nunes (21.11.19)

Referência:
LENT, Roberto. O Cérebro Aprendiz: neuroplasticidade e educação. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019.
MEDICINA & BEM-ESTAR – Edição nº: 2289. 27.Set.13 - 20:50. Atualizado em 03.Out.13. 22:25.


Professor, estude Neurociência!




Hoje em dia, nós, professores, não podemos mais perder de vista a importância da neurociência à aprendizagem. Reafirma-se a idéia de que professores são profissionais dos estudos constantes das múltiplas áreas de saber que apresentem possibilidades estratégicas de se estimular adequadamente as aprendizagens aprendentes. Nós não podemos parar de estudar para melhorar nossa ‘ensinagem’.
O tempo é de ascensão de aprendentes com emoções conturbadas e em dificuldade de aprendizagem; logo, de aprendentes recebendo estímulos distorcidos, base de impulsos estranhos aos chamados ‘imigrantes digitais’, dentro de uma sociedade violenta. Mesmo assim, nós, professores, precisamos sempre atualizar e qualificar nossas formas de ensinar. Por isso, segundo Tracey Tokuhama-Espinosa (2012), “renovar ou inovar ações educacionais sem uma compreensão do funcionamento do cérebro, é como querer desenvolver um avião apesar do pavor de voar”.
Nos tempos atuais, um professor precisa de paixão, estudos e atitude, apesar de políticas públicas imprimem nossa desvalorização. Cada apresentação temática de quaisquer áreas de saber precisa ir além da perspectiva da atenção sustentada, é preciso entender como o cérebro opera e o aluno aprende: é preciso entender que, junto às mídias digitais e virtuais, o mundo mudou sua configuração emocional e cognitiva, daí as formas de interação (envolvimento, atenção e foco) reorganizaram um movimento de construção emocional com certo delay temporal. É o entendimento de que ponto esse cérebro aprendente se emociona que introduz a chamada ‘humanizaçao das aprendizagens’.
Professores precisam conhecer o contexto e as experiências aprendentes para organizar ensinagens específicas. Pensar junto à neurociência é dar o ponta-pé para o desenvolvimento de projetos pessoais cujas emoções melhorem os resultados educacionais. Não há promessa de sucesso ou de solução! Há outra possibilidade de dinamizar a sala de aula incluindo o prazer e com mais protagonismo aprendente.
Aprender requer memória e memória requer reconhecimento dos saberes aprendentes e estímulos adequados a sua ascensão prática. Eis o grande desafio para nós, professores: estudar, entender e estimular adequadamente os cérebros aprendentes, respeitando suas singularidades (experiências pessoais).
Como iniciar: estude e entenda o conceito de NEUROPLASTICIDADE.

Profª. Claudia Nunes (20.11.19)

Referência:
TOKUHAMA-ESPINOSA, Tracey. What Neuroscience Says About Personalized Learning. Educational Leadership February 2012 | Volume 69 | Number 5 For Each to Excel.


"O QUE FOI QUE A VIDA FEZ DE MIM?"




“O que foi que a vida fez de mim?”. Essa é a pergunta que persegue Sancha há muitas semanas. Mesmo lidando com certos controles, limites e prazeres por escolhas diárias, Sancha, hoje, para que foi dominada por algo irracional que virou de ponta a cabeça suas rotinas. Sem querer e em pouco tempo, ela precisou remodelar seus comportamentos até mesmo emocionais para se adaptar. Sim, se adaptar. Não há explicações místicas, mas é preciso procurar razões para dormir e acordar com sentidos. Será uma prisão? Será ‘nunca mais’? Será mudança? Diante do que lhe aconteceu, Sancha só decidi uma coisa: não reclamar. Ela não pode reclamar. Mesmo no fundo do poço, qualquer um tem que saber que existem sempre portas abertas. E a mente é a zona tanto do perigo quanto da liberdade. Na hora do aperto ou da completa escuridão, parar e respirar são as melhores estratégias para emergir rápido. Só que, na hora do aperto, não pensamos nisso. Nós nos desesperamos. Sancha se desespera e fica cega aos caminhos possíveis. Muitos estudos, no mundo todo, comprovam que “podemos reestruturar a anatomia cerebral usando a imaginação”. Como? Sancha se pergunta: como? Essência e autoconhecimento. Mas Sancha não consegue pinçar nada em sua memória. Como? O que fazer? Mudar a estrutura de pensamento exige força e paciência, afinal reclamar é sempre bem melhor. Mudar a estrutura de pensamento exige outros pensamentos. Pensar sobre o pensar e, assim, imaginar rotas de fuga ao desespero estabelecido. Pensar sobre o pensar, imaginar e memorizar, e, enfim realizar. Na hora do desespero, a comunhão mente e corpo são a senha do movimento de readequação ao que nos / lhe aconteceu. Sancha só está no primeiro nível: pensando... Ela buscar novas rotas aos seus neurônios para dar um novo start ao seu cotidiano. Ele precisa se livrar o lixo toxico que ascende quando aceitação o ato de reclamar. Reclamar paralisa e nos desconecta com o senso imaginativo da superação dos desafios. Sancha, repirando, escutando musica, ignora o entorno e segue na experiência de reprogramar seu cérebro. Seu modelo mental não pode mais lhe ajudar. A experiência do desespero e da fragilidade da pergunta “o que foi que a vida fez de mim?” não tem mais suporte técnico, já que o contexto é outro e difuso. Ela respira, respira, respira; fecha os olhos, ouve a música, se incomoda, desliga o rádio, entende o silêncio, reencontra suas funções vitais e abre a porta da frente do seu coração e da sua casa. Ao levantar, Sancha deixa o vento lhe atravessar totalmente e, sem reclamar, abre um livro de física quântica, deixado de lado com a ideia de que era impossível de ler. Hoje, Sancha sabe: diferente do ‘para sempre’ que sempre acaba; o impossível sempre acontece no torto da menor distração inconsciente.

Profª Claudia Nunes (10.11.19)

Referência: VIEGAS, Emerson & BARBOSA, Jaqueline. Os bastidores da sua mente e como ela afeta nossas relações. In. Lixo Emocional: faça uma limpeza emocional e viva mais leve. 2019, 59-72 [PDF]

Nada nunca é igual

  Nada nunca é igual   Enquanto os dias passam, eu reflito: nada nunca é igual. Não existe repetição. Não precisa haver morte ou decepçã...