sexta-feira, 3 de agosto de 2018

JOVENS APRENDENTES e habilidades necessárias


            De novo, o retorno às aulas. Novo semestre. Novas expectativas. Novos desafios. Quais habilidades enfatizar para potencializar as competências de e para aprendizagem? De agosto a novembro, professores devem oferecer atividades que mantenham ou, ao menos, acelerem os aprendizados em diferentes áreas de saber.

Habilidades... Interessante... Habilidades, atitudes e conhecimento, eis a tríade que forma as competências. Habilidades... Penso de novo na proposta de humanização do ensino. Isso não é novidade. Escola como ambiente social exacerba e desenvolve nossa humanidade porque estamos entre seres vivos humanos aprendendo a ser seres vivos humanos e sociais. Então qual é a surpresa na proposta de humanizar o ensino, as práticas ou as relações pedagógicas? Minha resposta: EMOÇÃO. É um retrocesso. Sempre pensamos no cognitivo, no intelecto, na inteligência, no esforço; esquecemos que estes aspectos do ser vivo humano requerem sinergia como as formas de EMOCIONAR. É um trabalho sério na MOTIVAÇÃO levando em consideração o currículo pessoal oculto, ou seja, o que os jovens aprendentes sabem e criar envolvimentos realistas e emocionantes.

Nossa sociedade está acelerada e exigindo velocidade, principalmente nas conquistas em todos os setores. Nossos aprendentes estão em um looping vertiginoso sem tempo para errar. E junto a isso estão as tecnologias da informação e do conhecimento (TICs).

Segundo Pedro Demo, em seu texto ‘Habilidades para o século XXI’ (2008), “embora haja muita fantasia e retórica em torno da virada do milênio, o que existe de mais concreto é o advento de modos de viver e produzir que nos lançam novos desafios, exacerbados, entre outras coisas, pela pressa das inovações tecnológicas”. Jovens aprendentes então são atropelados pelas exigências de uma sociedade que tudo deseja e tudo cobra para ontem. Tempo de reflexão? Mínimo. Tempo para experimentar? Pequeno. Tempo de frustração? Nulo.

Jovens aprendentes sem tempo para, no processo evolutivo, se renovarem através das relações, experiências e aprendizagens, e assim inovarem (criatividade). “Na prática a sensação que temos é de corrermos atrás da tecnologia bem mais do que ela corre atrás de nós” (DEMO, 2008).

Jovens aprendentes, de um subúrbio violento, com poucas chances de distração positiva, sem tempo para alfabetizações sociais, culturais, cognitivas e espirituais que lhes construam, por exemplo, como profissionais competentes no futuro. O que falta? O que nós, professores, podemos fazer? Talvez reconhecer que promover mais emoções tóxicas ou muito tradicionais não vale a pena. Talvez reconhecer que experimentar um diálogo positivo, simples e significativo, na sala de aula, vale mais a pena. E esse diálogo principia com as habilidades humanas. Esclarecer, buscar, potencializar, provocar, desafiar tornam-se verbos importantes a este objetivo.

Em sua maioria, jovens aprendentes gostam de trabalhos em grupo; de discussão em roda; de dinâmicas fora da sala; de produzir o que quer que seja; de responder a desafios realistas; de transformar o espaço; etc. Ler, escrever e contar estão embutidos no processo; não são a primazia por horas a fio. Jovens aprendentes, com esses estímulos, motivam-se a se comunicar, coordenar, liderar, fazer, mostrar, organizar, falar, resolver conflitos ou problemas pessoais, grupais, contextuais, de bairro, de estado e/ou de país. Habilidades como essas potencializam as zonas de interesse e as relações interpessoais cujo resultado é o aprendizado do equilíbrio emocional. “Na prática, ler, escrever e contar continuam procedimentos importantes na vida das pessoas, porque são habilidades indispensáveis para a cidadania e a produtividade, em especial, em sociedades mais atrasadas. O que se discute é sua posição cada vez mais secundária frente a novos desafios mais exigentes no contexto de expectativas bem mais sofisticadas na sociedade e na economia” (DEMO, 2008).

Jovens aprendentes requerem outros conhecimentos inclusive recursivos para que se desenvolvam emocional e cognitivamente. E ainda assim não há o descarte da leitura, da escrita e da matemática, habilidades, hoje, bases / fundamentos para todas as inovadoras metodologias que vem surgindo.

No livro ‘Disciplina Positiva em sala de aula’, Glenn (apud NELSEN, 2017, p.79-83) apresenta CINCO barreiras na comunicação que precisam se revistas e quebradas, pois geram mais frustração e desencorajamento tanto para professores / pais, quanto para jovens aprendentes. Leia com atenção este um pequeno resumo:

ð  Suposição versus verificação: Suposição como leitura de mente (sabemos o que o aprendente pensa e sente; pode ou não fazer; poderiam ou não responder). Daí em vez de supor, estabeleça uma comunicação verificada – fazendo perguntas que estimulam a curiosidade.
ð  Resgate e explicação versus exploração: Permita que aprendam com as próprias experiências; deixe-os descobrir a explicação sozinhos. Explorar é o alicerce da comunicação. Use a curiosidade para promover conexões.
ð  Instrução versus convite e encorajamento: Dar muitas instruções reforça a dependência, elimina a iniciativa e a cooperação e encoraja o comportamento passivo-agressivo. Convide a participar do planejamento e de atividades de resolução de problemas. Instruir incita resistência passiva ou ativa. Convidar encoraja a cooperação.
ð  Criação de expectativa versus celebração: Acreditar no potencial do aprendentes é básico. Não crie expectativa, busque oportunidade para celebrar as realizações e singularidade. Acreditar no potencial do aprendentes é básico. Não crie expectativa, busque oportunidade para celebrar as realizações e singularidade.
ð  ‘Adultismos’ versus respeito: Crianças não são adultos, nunca esqueçam! ‘Adultismos’ geram culpa e vergonha, em vez de apoio e encorajamento. Pratique o respeito: há sempre diferentes pontos de vista. Crie um clima de aceitação que encoraja o crescimento e uma comunicação efetiva.

De novo, início de semestre, e de novo, o pensamento de que somente aprender a aprender não ‘serve’ mais para desenvolver o trabalho pedagógico. Jovens aprendentes exigem antecipação dos trabalhos: emoções, primeiro, ajustes cognitivos depois. “A criança precisa perceber clara e diretamente que está sendo iniciada em ambientes que ela reconhece como cotidianos, parte de sua vida, mesmo nas periferias” (DEMO, 2008). Logo, neste semestre, professor, experimente desenvolver as habilidades emocionais abaixo:

ð  Autoconfiança: Ressalte a confiança de seu aprendente. Creia em sua capacidade. Não rotule. Reforce o que for positivo, mas não elogie sempre, só por elogiar. Mostre que seu jovem pode contar com seu apoio para realizar tarefas simples. Isso desenvolve autonomia.
ð  Coragem: Ter medo do desconhecido é natural, e até esperado. Dê espaço pra expressão e entenda o que está sentindo. A coragem é essencial para que possamos aceitar desafios; ir atrás dos próprios objetivos; aprender coisas novas e defender os nossos valores.
ð  Paciência: Ensine que não se pode controlar tudo e que é preciso saber esperar. Ansiedade precisa ser ajustada aos poucos. Mostre ao seu jovem que cada coisa tem seu tempo.
ð  Persistência: Ofereça apoio e incentivo em todas as situações de desequilíbrio ou queda. Os sonhos precisam de esforço, treino e persistência. Não faça por ele. Sucesso se alcança depois de muita luta. Persistência transforma metas em conquista apesar dos obstáculos.
ð  Tolerância: Aprender a aceitar as diferenças é o começo do caminho para uma convivência tranquila e harmoniosa com o outro. Crie oportunidades de interações mais cooperativas, como jogos coletivos, para que a criança comece a conhecer tanto as regras quanto as necessidades dos outros. Seja exemplo. Tolerância também se aprende através do exemplo.
ð  Autoconhecimento: Diante do exemplo e dos outros, o jovem começa a se questionar, a se perceber e, claro, a expressar suas vontades, agora com motivos e razões mais consistentes. Aos poucos, ele vai se conhecer melhor e isso será fundamental para que ele pense e aja com mais segurança, respeitando o que sente. Também é o primeiro passo para se relacionar com as pessoas à sua volta.
ð  Controle de Impulsos: Saber esperar. Saber se controlar. Controle das emoções (teste do marshmallow). Aumento desempenho escolar. Saber adiar a satisfação para ter uma recompensa. Mas esse controle se aprende com exemplo e muito diálogo.
ð  Resistência às frustrações: Poder de resiliência (capacidade de sobreviver às dificuldades e usá-las como fonte de crescimento e aprendizado). Superar problemas e adversidades sem se abater demais. Não o poupe, isso mais atrapalha que ajuda. As crianças precisam ter contato com pequenas impossibilidades para poder lidar com as maiores depois.
ð  Comunicação: Conversar estimula a organização de ideia. Importante para o desenvolvimento da linguagem e a expressão de seus pensamentos. Outras atividades que favorecem a interação verbal também são importantes, como contar e recontar histórias, interpretar essas mesmas histórias e ler um livro junto com os jovens. Mas mesmo antes de aprender a falar, o bebê já se comunica por meio de gestos e precisa ser estimulado a verbalizar. Depois que ele aprender a ler e escrever, procure ensiná-lo também que, além da linguagem do bate-papo com os amigos.
ð  Empatia: Até por volta dos 2 anos, a criança só consegue ver as coisas a partir da sua perspectiva. A partir dessa idade ela já consegue se colocar no lugar do outro e pode começar a exercitar plenamente a empatia. Para que seu filho entenda o que outra pessoa está sentindo, ele precisa de ajuda para reconhecer, nomear e expressar suas próprias emoções, bem como as consequências das suas ações. Diante de um conflito, pergunte por que ele agiu assim, o que pensou e sentiu e incentive-o a imaginar o que o outro está sentindo também, levantando possibilidades, mas deixando que ele mesmo crie maneiras de resolver a briga. Fonte: Resumo: https://escoladainteligencia.com.br/10-habilidades-emocionais-que-as-criancas-precisam-desenvolver/

Profa Claudia Nunes



ESCOLHAS DIFÍCEIS e óculos escuros



- Cadê meus óculos escuros?
- Perco tudo, menos meus óculos escuros!
- Perdi tudo, nunca meus óculos escuros!
- Sem eles, a vida só tem muros!

Naquele quiosque, o vento limpava calçadas e sua vida.
Sol fora, lua dentro, óculos no rosto e emoções intensas.
No tempo que o tempo tem: a escuridão era seu maior desejo.
O brilho do sol no mar e a escuridão de uma paz sem um par
Faziam do seu mundo um lugar sem pomar,
Então, era apenas o par de óculos escuros de outra idade
E os corpos bronzeados vagando sem vaidades.
Estes lhe ‘diziam’: siga com mais verdade!

Virginia vivia o looping de outra grande negação.
De novo, a encruzilhada dos sonhos desfeitos e opções de caminhos a seguir.
De novo, as escolhas difíceis junto às novas cicatrizes do porvir.
De novo, emoção à flor da pele, raiva e descrença, sem noção.
Sua vida era uma negação de si mesma na contramão
E a escuridão recobria a loucura de viver uma grande paixão.

No quiosque,
Difícil pensar nisso sem seus óculos maduros...

De momentos apaixonantes, agora a escuridão sem pulo do gato.
Nunca imaginara isso 10 anos antes.
Nunca imaginara isso 50 anos depois.
De novo, o cansaço dos seus ‘capitães do mato’,
Pois, ela já conhecera a queda livre antes.
Agora só restava recolher a alma depois.
E a escuridão vagava por suas emoções sem tato.

Suas mãos e pernas não tinham ponto fixo, só os óculos escuros.
Seu corpo e mente não eram mais simples, só os corpos robustos.
Ali, só ela, o mar, sua loucura e a escuridão de seus óculos.
Ali só ela, suas memórias, seu tempo e a escuridão daqueles óculos.
Mas ela estava cansada e de óculos em apuros.
Ser fênix tem um tempo limite:
O tempo dos óculos mais seguros.

No quiosque
Difícil pensar nisso sem seus óculos nulos...

A escuridão dos óculos trazia o som das marés e da respiração insossa.
Virginia, cansada, não queria nada disso.
Ela não queria mais isso.
Ela queria proteção, paz e emoção, como uma moça.
Uma realidade verdadeira, simples, sem ilusão.
Mas sua aventura ultrapassara todos os limites.
Sua aventura fora exageradamente sem palpites
E sem querer, ela soube que a verdade era só sua.
E de repente, ela soube que, da mentira, todos sabiam: imatura!
Pelos sinais, ouvidos e olhares, ela soube: todos sabiam!
Mesmo de óculos escuros, todos observaram e sabiam.
Tanto respeito e todos sabiam.

No quiosque
Difícil pensar nisso sem seus óculos amigos...

Que loucura isso!
Ela e seus óculos escuros não viram os sinais.
Agora, no fim, suas apostas eram marginais.
Como conseguira fazer isso com a vida, apesar dos óculos divinais?
Sem resposta, sem desvios, sem garantias, sem confianças...
Apenas ela, seus óculos e seu coração sem lembranças.

Diante de uma bebida forte, ela soube:
Nunca se enganou realmente.
Seu coração palpita: ela também sabia
Sua pressão aumenta: ela também sabia
Apenas aceitara os óculos escuros da poesia e do sorriso bonito
Sem pensar que o amanhã também tem óculos sem brilho
E sem valia...

No quiosque
Difícil pensar nisso sem seus óculos escusos...

A roleta da aposta girou forte.
Apostas sérias foram feitas: sorte?
E ela vendera a alma: Quixote?
Agora de novo, a toalha estava no chão.
Óculos na mesa e toalha no chão.
A luta acabara.
O ringue estava vazio.
A mesa de jogo só tinha seu corpo sem alma.
Só restava a escuridão e seus óculos sem cartas.

No quiosque, no coração,
Difícil pensar nisso com seus óculos duros e vãos
E a roleta segue girando...

Virgínia fecha os olhos e entra em luto.
Mágoa, tristeza, raiva, confusão, Miguel.
Miguel? Sim, Miguel, seu treinador.
Fora os óculos escuros, havia Miguel, seu primeiro amor.
Sempre e sempre havia Miguel, seu calor!
Ele nunca se fora.
Nunca deixara de lhe olhar.
E agora, quando se distraiu, ela o viu através do mar, sem dor.
- Oi! Precisa de mim? Estive sempre aqui sem falar.

Ela nunca chorara tanto na vida.
Ela, o mar, sua valentia e seus óculos escuros.
Ela e sua voz: é hora de limpar os óculos escuros e nus.
Ela, Miguel e a luz da manha em ventura.
- Oi! Preciso de você! Pode me ajudar?

O tempo mostra tudo.
O tempo cura tudo.
O tempo ilumina a alma.
O tempo transforma a calma.
Virginia ganhou o tempo
E criou novo momento de palmas.

Profª Claudia Nunes

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Análise livro EXTRAORDINÁRIO


Acabei de ler o livro Extraordinário. Terceiro livro que leio em Epub. Estou em uma sequencia de leituras de ficção bem interessante. E realmente acredito que estou noutro momento: não achei o livro nada de mais, muito menos extraordinário.
Família classe média: pai e mãe, filha mais velha, Via, e Auggie. Auggie é um garoto que sabe muito bem quem é, quem não é, como as pessoas o veem e o que falam sobre ele. Ainda assim sonha em ser como qualquer um. Ele sabe que não pode. Ele reconhece sua dificuldade física. Mas ele sonha como qualquer criança. Antes de ser extraordinário, ele é estranho, diferente, esquisito: a novidade. Ele está deslocado. É a aberração. É o assunto do colégio. É a praga.
Auggie é o narrador e personagem principal do livro. Ele tem uma doença genética. Esta o leva a passar por várias cirurgias para ser menos ‘repulsivo’ (fala dele) e a perder a convivência com as crianças de sua idade. Para ser comum, ele precisa ouvir, enxergar e engolir, daí as cirurgias. Deformação no rosto, não na alma.
Protegido, amado, querido pela família. Eis que surge a hora de ir à escola de classe média alta: está no Fundamental. Não há mais esconderijos. Ele terá que suportar o olhar, as expressões e os preconceitos de outras crianças. Ele terá que conviver longe da família e ganhar autonomia. A escola é seu grande desafio. Sempre a escola... Ele vai socializar sua dificuldade, além dos portões de casa. Extraordinário? Não!
Há um diálogo afetivo e claro entre os pais. Há um diretor de escola ai sim extraordinário. Há crianças cruéis. Há situações constrangedoras. Ele é o diferente. Seu rosto é extraordinário: fora do comum. Como diz um dos personagens, ‘parece que ele derreteu no fogo’. Nós acompanhamos toda a dinâmica da família. Família feliz ao estilo romântico. Nós acompanhamos as mudanças nas amizades, no corpo e nos pensamentos da irmã mais velha, agora adolescente, que estuda noutra escola e que chega ao ensino médio.
Irmã agora em dúvida em relação ao irmão. Ela tem dilemas, tem vergonha, começa a namorar, perde melhores amigas, recupera uma delas, tudo normal para uma menina que vem saindo da pré-adolescência.
Todo o livro relaciona-se ao crescimento de Auggie na escola, espaço livre da proteção dos pais. Nós o admiramos pela forma verdadeira como ele SE encara e como constrói amizades reais sendo objetivo em suas atitudes.
Livro é sobre a diversidade em meio à normalidade; sobre gentileza, igualdade, mesmo entre crianças; sobre respeito, principalmente, em relação aos pais das crianças, já que a escola é de classe média alta.
Linguagem simples e dinâmica: capítulos curtos.
Auggie é aceito porque seu diretor reconhece seu potencial. Algumas famílias não aceitam bem tudo isso: ‘ele causa problemas e pode causar queda nas notas dos alunos ou problemas nas relações’. Há preconceito explícito: ameaças de retirada da ajuda financeira da escola por parte de alguns responsáveis. Pensar que as coisas mais simples causam grandes discussões que não leva a nada. A vida é para ser vivida intensamente, não importa a sua origem, cor de pele, condição física, religião e outros fatores que infelizmente levam as pessoas a terem algum tipo de preconceito com os outros. O diretor banca Auggie.
Auggie cria amizades reais: elas pouco se importam com sua aparência. A garra do menino é emocionante; mas, como esse diretor leva todo o processo de integração do garoto, é extraordinário. Nós observamos o crescimento emocional de Auggie, apesar de questionar a vida sobre o porquê de ter esta doença ou essa marca no rosto.
Auggie e sua família vivem bem os problemas que aparecem, mas sua postura quanto a si mesmo não é a realidade: ele se aceita, faz ironia de si mesmo, já reconhece os sentimentos nos rostos das pessoas que o veem, ainda assim se sente frágil e muito inseguro às vezes. Que criança de 10 anos faz isso?
Mesmo na escola há uma aura de proteção em favor de Auggie. Livro é um manifesto antibullying. Mostra formas de bullying para denunciá-lo e eliminá-lo dois ou três capítulos posteriores.
Infelizmente, Auggie não pode ser mais um na multidão. Mas confesso que senti grande irrealidade em muitas situações. É tudo perfeitinho e rosinha demais.
De novo um livro que reúne situações cheias de preconceitos em relação a aparência e que se resolve de forma romântica demais. E no fim, o senso comum: felizes para sempre rumo ao Fundamental 2 e aplausos generalizados.
A história é simples demais. Não sei se verei o filme...

Profa Claudia Nunes

'Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma sabiá' (PORTELA 2019)



SINOPSE DO ENREDO DA PORTELA PARA O CARNAVAL 2019 - 28/06/2018

'Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá'

A Portela vai apresentar no carnaval de 2019 uma homenagem à cantora Clara Nunes, ressaltando a diversidade e a atualidade de sua trajetória biográfica e seu vasto e plural repertório musical, constituído de sambas-canção, sambas-enredo, partidos-altos, marchas-rancho, forrós, xotes, afoxés, repentes e canções de influência dos pontos de umbanda e do candomblé. Para isso, pretende sair do lugar-comum das narrativas sobre sua vida ou de uma colagem de títulos de sua discografia. Nossa escola exalta a importância cultural de Madureira, das festas, terreiros e do contagiante carnaval popular, enfatizando a contribuição do bairro para a formação da identidade que caracterizou Clara Nunes: a brasilidade.

O meu lugar,
tem seus mitos e seres de luz.
É bem perto de Oswaldo Cruz* 

Em 1924, no primeiro carnaval da Portela, fundada em abril do ano anterior, o coreto de Madureira, criado pelo cenógrafo José Costa, reproduzia a imponente Torre Eiffel. Visitando o bairro na companhia de alguns amigos, Tarsila do Amaral não apenas eternizou aquela imagem numa tela, como também mostrou para seus pares modernistas que as festas populares do nosso subúrbio incorporavam os mais diversos elementos culturais. Sem dúvida, Madureira sempre teve um ar moderno, como a própria trajetória de Clara Nunes, que parece ter emergido de uma obra modernista, como se fosse uma tela da Tarsila: a Mineira representa a mais plural expressão da brasilidade. Morena. Mestiça.

Porque tem um sanfoneiro no canto da rua,
fazendo floreio pra gente dançar,
tem Zefa da Porcina fazendo renda
e o ronco do fole sem parar** 

Clara nasceu no interior mineiro, num lugar que hoje se chama Caetanópolis. Ainda menina, trabalhou numa fábrica de tecidos para conseguir sobreviver, mas seu destino já estava traçado. Tinha como missão cantar o Brasil!  Ao longo da infância, conheceu de perto as tradições culturais e as festas folclóricas interioranas, certamente recebendo influência de seu pai, Mané Serrador, mestre de canto de Folia de Reis e violeiro dos sertões das Gerais.

Sua brasilidade, como herança de sua origem, sempre valorizou a diversidade regional de nosso país. A voz de Clara fez ecoar os ritmos do povo, na saborosa confusão dos mercados populares, seja do nordeste ou de qualquer outro recanto desta nação.

Alçando voos mais ousados, Clara mudou-se para Belo Horizonte, onde participou de concursos, realizou os primeiros trabalhos artísticos e conquistou espaço nos meios de comunicação.  Chegando ao Rio de Janeiro, seguiu fazendo sucesso e conheceu o misticismo que aflorava em Madureira, incorporando-o à sua identidade.

Sou a Mineira Guerreira,
filha de Ogum com Iansã*** 

Até então, a artista cantava principalmente boleros e sambas-canções. Após ter contato com o ancestral universo afro-brasileiro de Madureira, a mineira se transformou igual ao céu quando muda de cor ao entardecer. E nunca mais foi a mesma: visitou os terreiros, quintais e morros de Oswaldo Cruz e Madureira, vestiu-se de branco, incorporou colares, turbantes e contas, cantou sambas e pontos de macumba. Seu repertório se expandiu. A imagem de Clara evocando os Orixás, irmanada ao povo de Santo, eternizou-se na memória de seus fãs. Ela se tornou a Guerreira que não temia quebrantos, dançando feliz pelas matas e bambuzais, sambando descalça nas areias da praia, unindo a essência negra de Angola ao subúrbio carioca. E assim, sua voz rapidamente se espalhou. Seu canto correu chão, cruzou o mar, foi levado pelo ar e alcançou as estrelas. Uma força da natureza que brilhou como um raio nos palcos e terreiros, iluminando o coração dos portelenses. Nada disso foi por acaso.

Portela, sobre a tua bandeira
esse divino manto.
Tua Águia altaneira 
é o Espírito Santo
no templo do samba**** 

Desde que foi fundada, a Portela tem uma presença significativa de elementos típicos do mundo rural, trazidos pelo povo simples do interior, sobretudo do interior de Minas Gerais, mesclados à negritude que vibrava em Madureira. Talvez tenha sido por isso que a identificação de Clara com a Portela foi imediata. Ela sempre ocupou posição de destaque nos desfiles, é madrinha da Velha Guarda e até puxou sambas-enredos na avenida.  Ela e os portelenses, famosos e anônimos, sempre caminharam de mãos entrelaçadas, voando nas asas da Águia.

Um dia, inesperadamente ela partiu. Trinta e cinco anos se passaram desde então. A dor da saudade sempre reverberou no coração de todos, tornando-a uma estrela ainda mais cintilante.

Agora está na hora de a Guerreira reencontrar seu povo mestiço, para mais uma vez brilhar na avenida. Vestida com o manto azul e branco e a Águia a lhe guiar, voa minha Sabiá.

Até um dia!

Carnavalesca: Rosa Magalhães
Sinopse: Fábio Pavão e Rogério Rodrigues

Referencias:
* O Meu Lugar – Arlindo Cruz e Mauro Diniz
** Feira de Mangaio – Glorinha Gadelha e Sivuca
*** Guerreira – João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro
**** Portela na Avenida – Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte


Jovens Habilidades e o século XXII

Jovens a esmo. Jovens ociosos. Jovens sem destino. Jovens indiferentes. Jovens ignorantes. Jovens alienados. Jovens solitários. Jovens suicidas. Jovens precisando de AFETO e formas de aproximação, imersão, convergências realistas, pacientes, limitantes, organizadas, respeitosas). É isso! Essa é a necessidade de uma sociedade do século XX a uma sociedade do século XXI. Vamos preparar seres vivos humanos para conviver com outros seres vivos humanos com mais equilíbrio, estratégia, solidariedade e objetividade.
‘Chutar o balde, vez por outra, é importante e faz parte, todos estamos em grupo e em momentos diferentes da vida tanto biológica, quanto social, emocional e física; MAS sempre, como sempre estivemos com faixas etárias diversas em comunhão (vivendo junto), é importante pensar por que, hoje, é tão difícil preparar o grupo de jovens para viver o próprio século XXI ou XXII? Sim, pensemos no século XXII. Como afirma o texto do samba enredo da Vila Isabel 2018, ‘corra que o futuro vem aí’.
Nossos jovens precisam de habilidades que os projetem para dentro e para fora de sociedades, seus dogmas, crenças / regras para o próprio crescimento emocional e daí cognitivo e físico. Só que alguém não está dando conta da sua parte. O que falta? Jovens X Z e Alpha perderam o chão familiar porque a sociedade mudou seus interesses e suas prioridades. E ai não há emoção que de conta dos comportamentos!
Todos sabemos que o fio de meada ou o prumo atencional precisa ser novamente cooptado para que o foco seja retomado e as aprendizagens sejam mais saudáveis. É uma decisão e uma ação contínua. É uma decisão fácil, mas com manutenção difícil. Mas é isso: a conquista de uma sociedade jovem mais equilibrada demanda um desejo, uma decisão e muito esforço diário. Será que estamos preparados ou nos preparando realmente?
Na escola, fora salas de aula mais flexíveis, com alunos fora de fileiras e em muitos casos trabalhando em grupo, como sugere a experiência canadense, revisão metodológica e flexibilidade avaliativa são a base de possíveis mudanças; mas o valor real de uma construção de habilidades socioemocionais plenas está em outros elementos, as vezes bem subjetivos, como postura, forma de aproximação, escuta sensível, respeito ao que o aluno sabe, liberdade de expressão organizada, apreensão real do contexto e sempre boa participação dos responsáveis no processo.
A proposta é criar ambientes dinâmicos e desafiantes. Ideia: fortalecer os alunos em seus sonhos, desejos e potencialidades; além de oferecer oportunidade de ele mesmo trabalhar suas tensões, baixa autoestima, chateações, diferenças ecomplexidades da idade), mesmo fora da escola.
No campo das políticas públicas: a ideia é revisão do currículo da formação de professores; reorganização do próprio currículo a que se submeterão os alunos; investimento na administração e no pedagógico da escola; valorização do docente + formação continuada; ações continuadas e adaptações adequadas às necessidades escolares; e de novo, o envolvimento de todos no processo de aprendizagem. Sempre o diálogo e a escuta oferecem elementos claros para os 'passos seguintes'
Ah! Acreditamos que seja importante entender (e utilizar) o conhecimento neurocientífico sobre como se estrutura a memória, a atenção, a emoção e, por fim, a neuroplasticidade, um conceito 'guarda chuva' para vários momentos de mudança e adaptação do sistema nervoso biológico e social..
Mas isso é assunto para outro dia!
Até Claudia Nunes

SOMOS COMUNICAÇÃO PLENA

A humanidade vive a era das incertezas e das complexidades. Não há fuga às transformações desse movimento veloz: um salto quase quântico foi dado e nele não cabem ações de resgates. Nada de saudosismos! É preciso reorganização integral da vida; inovação quanto aos ‘fazeres’ sociais e interativos; e estabelecimento de novos pilares referentes a conceitos como família, escola, afeto e conhecimento.
Na loucura do tempo presente (ou líquido, como apresenta Bauman), a subjetividade humana é percebida dentro de um tabuleiro de xadrez e está em xeque. É um momento que exige repensamento, estímulos às memórias vivenciais e a criação de estratégias que possibilitem a continuação do jogo humano entre os próprios humanos e a Natureza em geral. Então REINVENÇÃO é a palavra-chave, principalmente, quando envolve a construção de relações e a manutenção de interelações adequadas. Mas para que nos reinventemos e ofereçamos aos outros um mundo de comportamentos mais positivos, mesmo diferentes, precisamos mudar nossa forma de COMUNICAÇÃO.
Comunicação acontece por diferentes linguagens: verbal, não verbal; mista, formal, informal e corporal. Nós aprendemos isso no ensino fundamental. Logo não há ser vivo humano que não se comunique; há sim seres vivos humanos que não conseguem decifrar determinadas formas de comunicação. Nós nos comunicamos e aprendemos para SOBREVIVER ao próprio tempo.
Sobrevivência relaciona-se diretamente então com comunicação e linguagem; e ambas exigem uso constante das funções executivas e da atenção. No conjunto, podemos reconhecer que o homo sapiens é o receptáculo de memória temporal de si mesmo. Mas a sofisticação aconteceu com o tempo, as criações e as emoções relacionadas aos objetos inventados e usados cotidianamente.
Desde a Revolução Cognitiva o Homo sapiens tem sido capaz de revisar seu comportamento rapidamente de acordo com necessidades em constante transformação. Isso abriu uma via expressa de evolução cultural, contornando os engarrafamentos da evolução genética. Acelerando por essa via expressa, o Homo sapiens logo ultrapassou todas as outras espécies humanas em sua capacidade de cooperar.
(HARARI, Yuval Noah. Uma breve história da humanidade SAPIENS, 2015)
Para aprender, cuide bem das suas escolhas de linguagem!
Profª Claudia Nunes

Comunicação Veloz

COMUNICAÇÃO VELOZ
O Homo sapiens conquistou o mundo, acima de tudo, graças à sua linguagem única, e dominaram o resto do planeta (por terra e pela água). A partir de 70 mil anos atrás, segundo Harari (2015), o Homo sapiens começou a fazer coisas muito especiais: invenção dos barcos, lâmpadas a óleo, arcos e flechas, e agulhas (essenciais para costurar roupas quentes); além dos primeiros indícios incontestáveis de religião, comércio e estratificação social. Desta forma, a maioria dos pesquisadores acredita que essas conquistas sem precedentes foram produto de uma revolução nas habilidades cognitivas dos sapiens.
Em muitos casos, de acordo com Harari (2015), “mutações genéticas acidentais mudaram as conexões internas do cérebro dos sapiens, possibilitando que pensassem de uma maneira sem precedentes e se comunicassem usando um tipo de linguagem totalmente novo. Poderíamos chamá-las de mutações da árvore do conhecimento”.
Saltando milhares de anos. Eis a Revolução Industrial. Máquina a vapor reinventando tecnologias, principalmente nos meios de comunicação e de transporte. Reconfiguração de dois conceitos: VELOCIDADE e TEMPO. Nós diminuímos as distancias e estabelecemos novo padrão de tempo. A percepção de realidade e a vivência cotidiana ganharam velocidade. Foi mágico! E nós nos encantamos! De novo, como num espelho, nós nos orgulhamos de nossas próprias invenções e as incluímos rapidamente em nosso cotidiano. Nome disso? EVOLUÇÃO!
Nós, seres vivos humanos, criamos outros ambientes de convivência e representação em que nos vemos, espelhamos, descartamos e crescemos. Mas, diante da velocidade (e o encurtamento das distâncias), hoje, percebemos que nosso espelho tem dois lados, às vezes côncavos, às vezes convexos; e isso redimensiona aspectos contraditórios desta evolução: há um desejo de melhorar, de obter qualidade das relações, muitas vezes, visando o futuro; mas também há uma profunda desconexão humana (emocional e física) cujo resultado é um constante desafio à construção das relações, aprendizagens, formas de comunicação e de interação.
Ainda assim, ainda que as contradições existam, de acordo com Harari (2015), “o Homo sapiens é, antes de mais nada, um animal social”. Ou seja, antes de quaisquer aceitações (ou estranhamentos) na/com a vida, para sobreviver, nós precisamos do Outro. Nós precisamos saber “quem em seu bando odeia quem, quem está dormindo com quem, quem é honesto e quem é trapaceiro” etc. Nós nos comunicamos e precisamos saber quais emoções geram informações para que o convívio se mantenha e certas estratégias sejam pensadas e repensadas para aprender e continuar vivendo.
Sobreviver surge como uma questão de adaptação social.
Somos sofisticados e versáteis justamente por causa de nossa natureza sobrevivente.
Profª Claudia Nunes

JOVENS APRENDENTES e habilidades necessárias

            De novo, o retorno às aulas. Novo semestre. Novas expectativas. Novos desafios. Quais habilidades enfatizar para potencializar...