segunda-feira, 11 de setembro de 2017

HABILIDADES DIFÍCEIS e IMPRESCINDÍVEIS



Martha Gabriel, em 2016, escreve um pequeno aretigo sobre ’10 habilidades difíceis de adquirir que valem para a vida toda’. Em tempos de habilidades socioemocionais, acredito que devemos pensar sobre isso com foco em nossos aprendentes, tão vulneráveis e sempre uma promessa de um mundo melhor.
            Segundo Gabriel (2016), estas habilidades difíceis serão melhores quanto mais demorarem a ser adquiridas. Ou seja, ‘não é só de currículo e experiência que vive um profissional’. Quando pensamos em aprendentes, podemos afirmar ‘não é só de currículo e conteúdo que se constrói aprendizagens de qualidade’. Há habilidades que, embora sejam simples, exigem esforço, perseverança e tempo. E esta é a linha em que um professor faz toda a diferença.
            Vamos pensar um pouco mais:
            Quando apresentamos o conceito de aprendizagem socioemocional referimo-nos ao processo de aquisição de habilidades socioemocionais, aquelas que nos tornam capazes de interagir e entender os outros; ter maior compreensão de nós mesmos; o que nos torna aptos a lidar com adversidades / frustrações.
            Mas tudo isso requer um período escolar em que sejam inseridas, através de projetos, dinâmicas e atividades coletivas, proativas e ativas, ferramentas ou movimentos cognitivos, emocionais e motores que tornem nossos aprendentes mais propensos a viver e a conviver em sociedade e, por conseguinte, alcançar seus objetivos com menos obstáculos e grandes momentos de superação. E a tríade-base não pode ser esquecida: perseverança, esforço e tempo. O tempero pode ter um pouco de sorte/oportunidade, mas sem a tríade-base, as dificuldades serão muitas.
            Segundo James Hecman, em entrevista ao Roda Viva, apesar da produção contínua de teorias educacionais e formas de avaliação, os aprendentes, principalmente adolescentes, tem capacidades intelectuais, mas não tem desenvolvido capacidades para:
ð  Lidar com frustrações;
ð  Trabalhar em equipe;
ð  Se organizar;
ð  Planejar o futuro;
ð  Lidar com as adversidades.

Não há tempo para pensamentos/teorias; os aprendentes exigem muito estudo, mas também uma práxis inovadora para se reconhecerem no novo mundo em transformação acelerada. A educação atual deve visar o mundo como espaço de experimentação das ferramentas oportunizadas no tempo escolar: são dois territórios em plena convergência. Então, segundo Gabriel (2016) quais seriam as habilidades mais difíceis e mais úteis de aprender?
ð  Controle do sono;
ð  Empatia;
ð  Gestão do tempo;
ð  Solicitação de ajuda;
ð  Consistência relacionada a atenção;
ð  Autoestima;
ð  Atenção aos outros;
ð  Foco em seus próprios assuntos;
ð  Presença real;
ð  Habilidade de falar em público.

E quando pensamos no processo de ensino e de aprendizagem (ensinantes e aprendentes), outras habilidades se apresentam. Vamos pensar e agir?
ð  Saber escutar / saber fazer silencio;
ð  Ter responsabilidades reais;
ð  Se exprimir com calma e clareza;
ð  Reconhecer a presença das diversidades;
ð  Ser organizado;
ð  Oferecer respeito para ter respeito;
ð  Usar a própria criatividade para o bem comum;
ð  Reconhecer os espaços e suas diferentes linguagens.

Em tudo, nós nos referimos a um jogo emocional particular e coletivo cujo tempo de desenvolvimento é longo e a participação dos professores fundamental. O cognitivo se qualifica quando reconhecemos desejos e sonhos, e os trabalhamos com recursos interessantes e humanos.
            É possível?

Profª Claudia Nunes

Referência:


quinta-feira, 23 de março de 2017

HÁBITOS bem necessários

Não há nada melhor e pior do que HÁBITO. Hoje conversando com uma amiga, ela me disse: “ao invés de falar em problemas, acredito em desafios; não tenho problemas, tenho desafios; devemos perder o hábito inclusive de pronunciar a palavra ‘problema’, todo temos desafios e, sendo assim, devemos reconhecer que desafio se encara e passa; se encara para superar e continuar a vida. O hábito de ter problemas complica tudo. Hábito complica tudo. Temos reprogramar nossa mente de maneira positiva, senão nos matamos ou matamos alguém”. Pois é, precisamos mudar os hábitos, renovar o ‘de sempre’ em nossas mentes e continuar aprendendo, dando qualidade aos comportamentos.

Em casa, relendo alguns trechos de artigos, fiquei pensando nisso: HÁBITOS. Por prazer, os hábitos se estabelecem. Mesmo sendo estranhos ou duvidosos para os outros, o HÁBITO, para cada indivíduo, tem base no prazer: temos prazer em ‘viver’ amigos, trabalhos, cotidiano como sempre quando este sempre é prazeroso. Esse HÁBITO costuma alcançar o imaginário dos outros quando os resultados são produtivos ou de sucesso, e aí, o hábito ‘do outro’ é bom, mas pode causar inveja.

Como se fundamenta no prazer, o HÁBITO se estabelece no sistema de recompensa cerebral. O desejo de permanecer numa amizade, num trabalho, numa atividade física, num relacionamento amoroso porque tudo é sentido como ‘bom’ ou ‘cor de rosa’ ou quase vital transforma padrões cerebrais e comportamentos emocionais e cognitivos; e, segundo o livro ‘O poder do hábito’ (e sua manutenção), o hábito pode ter enorme impacto na saúde, na produtividade, na estabilidade financeira e na felicidade, para o bem ou para o mal.

Mas mesmo hábitos prazerosos precisam ser (e são) transformados pela vida; são transformados por elementos (pessoas, eventos, sentimentos) surpreendentes: com o HÁBITO, nós nos tornamos um pouco míopes, senão cegos, para os sinais da realidade que sempre nos lembra sobre a hora de mudar (salto qualitativo); e tendemos, quando confrontados com esta necessidade de mudança a alimentar o mecanismo de defesa mais revelador de nossa comodidade: a negação. Só que mudar é uma escolha de sobrevivência pessoal e social: começa como percepção, depois surge como certeza e se naturaliza; vai do emocional ao racional em pouco tempo; e ai enterrar a cabeça na areia não adianta; o confronto intra e extragenético é certo, duro e agressivo.

“Primeiro há uma sugestão, ou gatilho, que diz ao seu cérebro para entrar em modo automático e desdobrar um comportamento. Depois, há a rotina, que é o comportamento em si. Para alterar um hábito, é preciso modificar os padrões que moldam cada aspecto de nossas vidas” (DUHIGG, Charles, 2012). Ou seja, para cada escolha, devemos empinar o nariz e reconfigurar nosso conjunto de neurônios para a nova ‘vida’. Base de tudo: prática / persistência na ação da mudança. Ainda assim, reconheçamos: de hábito em hábito, nós envolvemos corpo e mente em um estilo de sentir, pensar e agir procurando qualidade em nossas conexões afetivas e/ou profissionais de forma romântica: para sempre. E ai devemos tomar cuidado.

Segundo o livro ‘Hábitos da mente’[1], é possível articular hábito / mudança / novo hábito em 16 possibilidades. Veja o quadro abaixo:

HÁBITOS (ações)
POSSIBILIDADES
1. PERSISTIR


Cumprir uma meta, uma decisão; ter concentração e não fugir dos objetivos;
2. GERENCIAR
A impulsividade: tudo a seu tempo; tenha calma; pense antes de agir; tenha equilíbrio e escute mais;
3. OUVIR
Com compreensão e empatia; não julgar; procurar compreender os outros; dedicar energia mental aos pensamentos e ideias de outra pessoa; segurar seus próprios pensamentos em suspenso e entender realmente o ponto de vista e/ou emoções da outra pessoa;
4. PENSAR

Com flexibilidade; olhar para uma situação de outro jeito; encontrar uma maneira de dar perspectiva à mudança, gerar alternativas e considerar opções;
5. PENSAR
Sobre o pensar (metacognição); reconhecer seu saber apesar do outro; estar ciente de seus próprios pensamentos, estratégias, sentimentos e ações — e como eles afetam os outros;
6. ESFORÇAR-SE
Para a exatidão / o sucesso; rever sempre; objetivar o sucesso, a fidelidade, a verdade;
7. QUESTIONAR
E expor os problemas; saber argumentar quando necessário; escolher estratégias para produzir esses dados; procurar desafios;
8. APLICAR
Seu conhecimento a novas situações; pratique o que aprender; conhecer e transferir conhecimento para solucionar problemas e algo mais;
9. PENSAR
E comunicar com clareza e precisão o que sabe; ser claro oralmente e de forma escrita; evitar generalizações, distorções e exclusões;
10. COLETAR
Dados através de todos os sentidos ou caminhos sensoriais: gustativa, olfativa, tátil, cinestésica, auditiva e visual;
11. CRIAR
Imaginar, inovar; sempre tentar de maneira diferente; estimular o aparecimento de novas ideias e buscar fluência e originalidade;
12. RESPONDER
Com assombro e admiração sincera; intrigar-se com os fenômenos do mundo e a beleza; encontrar o que é impressionante e misterioso no mundo, por gosto;
13. CORRER
Riscos responsáveis; aventurar-se; agir com competência realmente;
14. ENCONTRAR
Humor na vida; ri muito; olhar com sensibilidade para o incongruente, o inesperado, o capricho da/na vida;
15. PENSAR
De forma interdependente; trabalhar em grupo; ter fome de aprender; aprender com os outros em situações de reciprocidade;
16. PERMANECER
Aberto à contínua aprendizagem; aprender com as experiências; orgulhar-se (e ser humilde o suficiente) para admitir que não sabe; resistir a complacência.

Nossos sentidos são nossas bússolas e por eles, junto à memória (informações de toda sorte), vamos estabelecendo diferentes perguntas ao mundo tal e qual saltos quânticos em busca de / outras / novas respostas. A questão do hábito passa da reprodução à produção de conhecimento como atributo real de mudança e de inteligência. Hábito para aprender a ‘saber pescar’, ação que leva tempo, paciência e tranquilidade. Novo hábito para reaprender a ‘ser gente’, mudar o caminho e assim mesmo nunca perder a chamada ‘essência’.

Lógico que o desafio está na sinergia da tríade: sorte, oportunidade e estímulo; afinal, para mudar um hábito é preciso saber perceber que o que se tem nos insatisfaz, causa prejuízo e pode evoluir para uma dependência. Logo, um novo hábito surge de um comportamento inteligente e estratégico focado em nosso aprimoramento. É um momento egoísta mesmo! É o que, hoje em dia, se chama ‘aprendizagem socioemocional’ em que recondicionar ou eliminar hábitos depende de raciocínio estratégico, perspicácia, perseverança, criatividade e habilidade para resolver o que for necessário em si para o outro, e não ao contrário.

Por conseguinte, segundo Costa (2012), mudar hábitos exige vontade, esforço e determinação, já que a nova aquisição requer repetidas oportunidades, ao logo de um longo período, de plena dedicação ao objetivo estipulado: reconhecendo, reforçando, discutindo (conversando), refletindo e avaliando a si mesmo. E, ainda de acordo com Costa (2012), para qualificar hábitos estratégicos ou mudar hábitos, principalmente de acordo com o desenvolvimento humano, nós precisamos ser/estar preparados com as seguintes habilidades:

• Criatividade e inovação;
• Pensamento crítico e resolução de problemas;
• Comunicação e colaboração;
• Flexibilidade e adaptabilidade;
• Iniciativa e autodireção;
• Competências sociais e transculturais;
• Produtividade e responsabilidade;
• Liderança e responsabilidade.

Agora peguemos um mapa e tracemos nosso caminho aceitando que este é cheio de pedras, muda, mas está sempre em movimento, quase sempre retilíneo e pouco uniforme.

Profa Claudia Nunes




[1] COSTA, Arthur L. & KALLICK, Bena. Learning of the leading with habits of minds: 16 essential characteristics for success. p.XX. Livro on-line.

ESTUDO relaciona atrasos na linguagem a brinquedos eletrônicos

Estudo relaciona atrasos na linguagem a brinquedos eletrônicos

Os impactos do contato com a tecnologia na primeira infância são diversos e variam de criança para criança e, principalmente, de contexto para contexto. A recomendação da Sociedade Brasileira é que nenhum contato seja permitido até os dois anos, principalmente durante as refeições ou antes de dormir.
Um novo estudo, realizado pela pesquisa Anna V. Sosa e publicado em 2016 no periódico JAMA Pediatrics, associa a relação direta entre a hiperexposição aos brinquedos eletrônicos, como tablets, jogos de celular e computadores, a atrasos de aprendizado e linguagem.
A partir da observação das formas de brincar da criança e dos níveis de interação com os pais, a pesquisa investiga como a relação entre esses dois elementos influenciam a aquisição de linguagem da criança. O estudo aponta que o ambiente de linguagem em que a criança está inserida na Primeira Infância pode influenciar a aquisição da sua fala, além de afetar a leitura e o futuro sucesso acadêmico.
A pesquisa foi realizada em 2016, com 26 famílias e bebês de 10 a 18 meses. Os pesquisadores concluem que a interação com brinquedos eletrônicos esteve associada a redução na qualidade e quantidade de linguagem recebida pela criança, quando comparados com livros e brinquedos tradicionais. Por esse motivo, o estudo conclui que não recomendável incentivar o contato com jogos eletrônicos no momento em que a criança está desenvolvendo a linguagem.
O texto ressalta também a importância do incentivo à leitura nesta fase do desenvolvimento da criança. "Os pais devem ser encorajados a ler para seus filhos e engajá-los em atividades que proporcionem interações reais entre pais e filhos". A pesquisa chama a atenção ainda para o bombardeio excessivo de publicidade dirigida não só às crianças mas também aos pais, que podem ser facilmente iludidos por brinquedos autointitulados educativos que prometem incrementar o desenvolvimento".
Confira um resumo dos principais resultados alcançados:
Para promover o desenvolvimento da linguagem, os pais podem investir tempo para ler para os filhos e brincar junto, olho no olho.
Brincar com livros ou brinquedos tradicionais é melhor do que brincar com eletrônicos, no sentido de promover um nível qualitativo de comunicação entre pais e filhos.
Quando estão brincado com brinquedos eletrônicos, as crianças vocalizam menos, quando comparado ao modo que elas verbalizam e interagem quando estão em contato com brinquedos tradicionais.
Intitulado "Association of the Type of Toy Used During Play With the Quantity and Quality of Parent-Infant Communication" (Em uma tradução livre, "Associação entre o tipo de brinquedo utilizado durante a brincadeira com a quantidade e qualidade da comunicação entre pais e filhos"), o estudo está disponível online e em inglês, para quem quiser se aprofundar na discussão, clique aqui para ler.



Profa Claudia Nunes

domingo, 12 de fevereiro de 2017

EXPERIMENTAÇÃO: carta a uma professora

Sem querer me deparei com a expressão ‘design thinking’[1] e fiquei interessada em um de seus itens: a experimentação. É interessante que, neste nosso século, tão cheio de mudanças e estranhezas em diferentes setores da sociedade, experimentar seja um verbo tão em voga, mas pouco praticado. Eu penso que ele deveria virar moda como foi o TDAH e são a neurociência e o autismo, pois assim muitos professores já estariam (se) experimentando em sala e junto aos seus alunos.

Segundo o livro ‘Design Thinking’, a “experimentação dá vida às suas ideias”. Ou seja, é preciso sair do mundo das essências platônico e seguir o desenvolvimento humano experimentando, fazendo, colocando em práticas nossas ideias acreditando em nossas potencialidades e dos nossos alunos. Nossos alunos agradecerão, não é? Sim, nossos alunos, professora. Mesmo lendo algo relacionado ao mundo dos negócios, meus pensamentos se focaram na escola, basicamente, nas práticas de ensino.

Professora, estamos em início das aulas, num século cujas mídias digitais estão ditando e exigindo mudanças em nossos planejamentos: nossos jovens mudaram demais. Há outro comportamento mais sinérgico em relação à assimilação, adequação e evocação das informações. O transito da memória mudou. As formas de os sentidos sentirem mudaram. As percepções e ações dos nossos alunos, ao interagirem com o mundo, mudaram tanto que, no mínimo, precisamos recompor nossos conhecimentos de como esse aluno deve continuar aprendendo.

De novo torna-se importantíssimo, saber planejar os caminhos pelos quais as aprendizagens desses alunos terão qualidade. Nós temos que experimentar: abrir espaços e tempos para o momento experimentação. Temos que saber experimentar. Mas como?

Experimentar sugere um jogo estratégico de erros e ganhos que precisarão ser vividos e/ou resolvidos da melhor forma possível. Planejar as experiências de aprendizagem requer aceitar que nem todos seguirão os mesmos caminhos para aprender e nem todos irão efetivamente aprender tudo. Professora, abandone o ‘tudo’, o ‘todos’. Experiência significa abrir as portas das possibilidades e das surpresas dos ‘sentires’. Nossos alunos anseiam aprender, mas não o querem como sempre; querem (sem o saberem) a diversidade de uma sala de aula menos tradicional.  Mas como?

Uma das possibilidades apresentadas pelo design thinking são os protótipos. Vamos construir protótipos às diferentes aprendizagens. Ou seja, vamos “tornar as ideias tangíveis, aprender enquanto as constrói e dividi-las com outras pessoas”.  Professora, a senhora não está (e nem deve estar) sozinha no processo de planejar a experiência de ideias para com seu aluno: compartilhe!

No compartilhamento de ideias, no caso da educação, dos objetivos, metodologias e avaliação, você pode aprender outros caminhos e refinar suas ideias. Seus colegas são importantes! Ouça sem retrucar! Ouça apenas e pense calmamente.

De acordo com o design thinking há algumas formas de ‘prototipar’ a dinâmica de sua sala de aula: crie um caderno de atividade onde você documente suas experiências e analise diferentes aspectos do desenvolvimento dos seus alunos; crie ‘storyboards’ em que, a partir de imagens, esboços, desenhos ou mesmo blocos de textos, você e seus alunos possam ser capazes de acompanhar as próprias aprendizagens; crie diagramas como mapas conceituais ou linhas de tempo cujo objetivo seja não perder o foco de aspectos importantes do desenvolvimento dos alunos e dos alunos em atividade; crie uma história ou artigo ou resenha em que possa descrever objetivamente suas experiências; e por ai vai.

O design thinking, de acordo com a personalidade do professor, ainda oferece opções como criar cartas, anúncios, modelos em computadores, maquetes tridimensionais, encenações (role play) e material digital (vídeos, por exemplo). Professora, o modus operandi de uma aula precisa mudar logo. Menos transmissão e mais mediação, parcerias, coprotagonismos, por favor! Desafie-se por dentro de recursos e metodologias que reestruturem o ambiente escolar de forma agradável, prazerosa e significativa. Estamos lidando com outras versões de humanos e elas exigem edições de tempo e espaço dentro de uma sensação de pertencimento efetiva. Quando tudo estiver mais esclarecido e organizado em sua mente: planeje! experimente!

Nesse percurso, outra chave para mudança às formas de ensinar para as formas de aprender, é o feedback, “uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento de uma ideia”.

A experimentação estimulará o acontecimento de outros comportamentos ligados a determinadas emoções. O novo ou o diferente provocam isso. Saiba lidar com isso. Uma boa leitura é a literatura sobre gestão de conflitos. A experimentação tira as mentes e os corpos da caixinha, e a primeira ação é a negação. Portanto, à experimentação, diálogos (feedbacks) constantes são imprescindíveis.
 
Professora, o poder do hábito traz muitos problemas à sala de aula. Não é porque algo vai ser feito diferente que será ruim, entenda isso! A senhora tem o poder de criar outros hábitos, principalmente quando instala a liberdade de expressão a partir da experimentação. Todos podem sugerir. Todos sabem pensar. Seja flexível e tente não estigmatizar gestos e atitudes. Ouça mesmo! Sendo assim, um bom momento de feedback pode ser organizado em alguns itens, de acordo com o design thinking:
- Identifique fontes para feedback: traços incongruentes na experimentação:
- Selecione participantes: alunos que consigam se expressar com naturalidade;
- Construa um roteiro de perguntas que imprimam significado/veracidade á discussão;
- Facilite as conversas de feedback: honestidade é tudo!;
- Documente os aprendizados do feedback: sensações, palavras significativas, outras ideias, sugestão de regras etc.:
- Integre o feedback: reveja suas impressões; discuta reações; repense o próximo feedback; mude o que for necessário;
- Identifique as necessidades: o grupo é diverso, logo itens como habilidades, tempos e recursos; formas de falar e escutar; precisam ser respeitados e encarados;
- Identifique fontes para o feedback: outras formas e ambientes para realização do feedback; itens que sejam importantes à qualidade do feedback como competências, desejos, sonhos, etc.; inclua pais, vizinhos e ex-alunos no processo ou na rede de experimentações.
           
            Professora, mesmo diante de tantas injustiças e desvalorização da própria educação, nossos alunos precisam de aliados/mediadores ao seu desenvolvimento natural cuja organização, para a futura inserção em uma sociedade, depende de como lhes forem dadas as oportunidades de aprender, ou melhor, mais que isso, depende de como lhes forem dadas as oportunidades de ele SER ‘gente de bem’, como diriam nossas avós. E ‘gente de bem’, a senhora sabe, depende de como foram lapidadas suas MEMÓRIAS emocional e estratégica. Então professora, PERMITA-SE! Cause mudanças significativas com EXPERIMENTAÇÕES reais e efetivas.

            Obrigada pela atenção! Aguardo retorno!
Sua aluna!

Profª Claudia Nunes



[1] Segundo o site Design Thinking (expressão idiomática) para professores, disponível em http://www.dtparaeducadores.org.br/site/o-que-e-design-thinking/ e acessado em 12/12/15, design thinking é “um novo jeito de pensar e abordar problemas ou, dito de outra forma, um modelo de pensamento centrado nas pessoas.” Segundo seus autores, Tennyson Pinheiro e Luis Alt, “o DT deve ser considerado como uma “abordagem” e não como uma metodologia. Ninguém vai aprender um passo a passo, uma receita de bolo; mas sim um conjunto de etapas que “permitem releituras e remixagens a partir das demandas de quem as usa.” Foi popularizado pela “empresa americana de design e inovação, IDEO, de Palo Alto, na Califórnia (Vale do Silício). A IDEO também é autora do livro Design Thinking for Educators, lançado em 2012.

GAMIFICAÇÃO: uma aventura gratificante

E as aulas voltaram! De novo, uma grande preocupação aos docentes: planejamento. Vamos pensar, hipoteticamente, nos caminhos pelos quais nossos alunos terão acesso às informações dos conteúdos das diferentes áreas de saber, durante em período de 06 meses e 01 ano. Não é tão difícil pensar em habilidades e competências; mas ainda é nosso ‘calcanhar de aquiles’ pensar em metodologias e formas de avaliação. Como mantê-los aprendendo? Em muitos casos a opção é cômoda: ensinamos como aprendemos. Isto é desastroso quando reconhecemos as mudanças emocionais e cognitivas em nossos jovens e crianças. Então o que fazer? Por onde começar?

Algumas opções são importantes pensarmos e introduzirmos paulatinamente: situações desafiantes; dinâmicas de grupo; discussões com temáticas atuais; documentários em vídeo; pesquisa com envolvimento social; dentre outras possibilidade focadas no grupo, no conteúdo, nas habilidades e/ou no lúdico. Da geração Y à geração Z, o mundo mudou radicalmente nas formas de estar, ser, sentir, pensar e aprender, e, estas gerações não se sentem mais estimuladas a aprender ‘do jeito de sempre’; suas memórias não podem ser construídas ‘do jeito de sempre’; e, por isso, vem exigindo outras motivações que os mantenham atentos e se desenvolvendo cognitivamente. A conta é clara: estímulo + motivação = atenção.

Metodologias e tipos de avaliação são itens que precisam de renovação e inovação (ação de mudar o foco), e isto exige conhecimento e reconhecimento dos recursos possíveis para lhes dar qualidade de ação mesmo. E um desses recursos pode ser a gamificação[1], que segundo Burke (2015, p.XVI), apesar de não existir uma definição específica amplamente aceita, é o uso de design de experiências digitais e mecânicas de jogos para motivar e engajar as pessoas para que elas atinjam seus objetivos (p.XVI). Além disso, afirma Burke (2015), ela não é apenas a aplicação de tecnologia a velhos modelos de engajamento (premiação), ela cria modelos de envolvimento completamente novos e seu alvo são as novas comunidades de pessoas e o objetivo é motivá-las para que atinjam que elas próprias desconhecem (p.XV). Sendo assim também pode ser usada para desenvolver habilidades, alterar comportamentos e aprimorar a vida das pessoas. (p.XIV).

Ou seja, estamos descrevendo um recurso com enorme POTENCIAL e que trabalha com a MOTIVAÇÃO. É uma jornada repleta de obstáculos e armadilhas; não é um elixir mágico e nem faz das pessoas fantoches (BURKE, 2015, P.xix). Outra ideia importante: não devemos reforçar a ideia de que a gamificação é capaz de tornar qualquer tarefa divertida. Após a decisão de sua aplicação, principalmente, em ambiente educacional, precisamos nos concentrar no reino do possível. Base de tudo: conheça o contexto.

Segundo vários autores, quando a gamificação está articulada às dinâmicas escolares surgem alguns benefícios como: reforço de valores; diminuição dos impactos das mudanças; necessidade de continuar aprendendo; participação crítica; voluntarismo; colaboração nas etapas das atividades; habilidades sociais; controle emocional e sensibilização; foco e atenção aos processos e às regras; aceitação do novo; melhor convivência e bem-estar; automotivação.

Mas há algo que precisamos ficar atentos: o uso da gamificação, mesmo nos ambientes educacionais, exige adaptações pessoais sérias; constante pensamento estratégico com pontos de feedback e de design e (re)design do contexto/conteúdo. Ou seja, precisamos pensar quais desafios podem motivar e engajar os jovens no processo de gamificação num nível profundo e significativo cujo resultado final seja a APRENDIZAGEM realista.

            Retornamos assim à palavra MOTIVAÇÃO e por consequência à palavra EMOÇÃO. Pensar em metodologia é pensar em inspiração e os alunos podem ser inspirados de diferentes maneiras: que tal criar e apresentar desafios práticos, encorajar os alunos à medida que atingirem novos níveis e mantê-los emocionalmente envolvidas para atingir melhor o resultado (BURKE, 2015, p.04)? Esse é o ponto-base da gamificação: ela gira em torno de envolver as pessoas em um nível emocional e motivá-las a alcançar metas estabelecidas (p.04). Meta dos educadores: mais do que o comprometimento, devemos nos focar no engajamento emocional[2] dos alunos.

            Os alunos estão voltando. Depois de um ano cheio de entraves políticos e sociais, eles estão voltando um pouco mais alertas e de novo querendo aprender e fechar o ano com novo sucesso de bilheteria (Ops!, de aprendizagem). E no engajamento emocional, mais do que a emoção da recompensa a partir da conquista da nota, os alunos precisam assimilar o significado das notas e se motivarem a continuar conquistando-as.

Opções para a gestão da gamificação na escola:

- incentivar a atividade e a proatividade através de desafios jogáveis;
- proporcionar interações diferenciadas através das tarefas indicadas;
- discutir e conscientizar sobre a importância do foco nos processos;
- incluir simulações de situações cotidianas gerando sensação de pertencimento;
- oferecer espaços de integração e de discussão também sobre as regras pré-estabelecidas, diminuindo conflitos e indisciplinas;
- introduzir níveis de dificuldade a partir da compreensão sobre como todos aprendem;
- estimular o envolvimento emocional e o ‘aprender fazendo’ em conjunto;
- criar uma visão positiva e única quanto aos sentidos das tarefas e das mudanças;
- estimular comportamentos diferenciados e as reorganizações internas dos grupos;
- convidar e não demandar para envolver com mais efetividade e prazer;
- reelaborar, em conjunto, formas de engajamento para realização das tarefas.

Dicas para obter melhores resultados às aprendizagens:

- observe por tempo determinado os comportamentos cognitivos e emocionais aprendentes;
- levante múltiplas e diferentes possibilidades metodológicas;
- selecione e adote novos recursos didáticos, de acordo com a avaliação prévia;
- escolha formas de controlar comportamentos para conseguir minimizá-los, alterá-los ou mesmo apenas medi-los (melhorá-los);
- fique atento aos comportamentos inadequados ou imprevisíveis que possam afetar o grupo;
- seja flexível e escute os aprendentes (jogadores), quanto às motivações, gatilhos emocionais, posturas físicas e determinadas verbalizações;
- crie um ambiente de confiança, colaboração e liberdade de ação e expressão;
- estabeleça tempos para o desenvolvimento dos procedimentos / etapas;
- tente criar situações em que todos possam ‘atuar’ com frequência e em grupos diferenciados;
- evite a criação de ranking entre os aprendentes, mas dê valor ás diferentes formas de ação e de participação, tornando o desafio significante por mais tempo.

            Se a ideação for emocionante; a imersão será uma aventura gratificante.

Profa Claudia Nunes

REFERÊNCIAS:
BURKE, Brian. Gamificar: como a gamificação motiva as pessoas a fazerem coisas extraordinárias. São Paulo: DVS editora, 2015.



[1] Segundo Burke (2015, p.XVI), esta palavra “somente alcançou massa crítica necessária para aparecer no Google Trends na segunda metade do ano de 2010, porém a palavra já existia há mais tempo. Foi cunhada em 2002 pelo consultor britânico Nick Pelling, criada para ser deliberadamente feia e descrever ‘a aplicação de interfaces cuja aparência era similar a jogos para tornar transações eletrônicas mais rápidas e confortáveis para o cliente.’ Na visão de Pelling, a gamificação tinha tudo a ver com hardware” e a palavra foi criada para descrever serviços de consultoria start-up de uma emprea. (p.XVI)
[2] De acordo com Burke (2015, p.05), “o comprometimento não é unidimensional, logo é preciso distinguir o que é envolvimento transacional e emocional” definidos pelo Instituto de Desenvolvimento Pessoal como: 1- engajamento transacional formatado pela preocupação dos alunos por receber constantemente notas, mesmo atendendo às mínimas expectativas do professor ou da atividade; já 2- o engajamento emocional é impulsionado pelo desejo de parte dos alunos de fazer mais ou tudo ao mesmo tempo do que o esperado e, em troca, receber mais como num contrato mais profundo e compensador: uma coisa leva a outra.