terça-feira, 8 de janeiro de 2013

FREINET e o 'ENSINAR'


            O mundo parece cada vez mais complexo. E não apenas por conta da quantidade absurda de informações a que podemos ter acesso, a qualquer hora da noite ou do dia. Mas, principalmente, porque com as transformações sociais e culturais, do ponto de vista biopsíquico, multiplicaram-se as formas de ser (família, profissional, adulto, homem, mulher, cidadão...). Modelos mais flexíveis abriram espaço para nos perguntarmos: como ensinar hoje?
            Aparentemente tudo já foi dito, mostrado e escrito. Aparentemente o que importa é o tanto de acessibilidade cada um consegue em seu cotidiano, dentro das suas especificidades também sociais e culturais, e isso vem modificando o modus operandi das formas de aprender. Ensinar, então ganha uma nova juventude: um momento em que a ação de experimentar torna-se a melhor estratégia para se impulsionar a vontade de aprender ou, ao menos, de se estimular a curiosidade sobre determinado assunto.
            Celestin Freinet sem um método pedagógico rídigo, nem uma teoria propriamente científica, nos apresenta pedagogias possíveis às ‘novas’ salas de aula: a pedagogia do trabalho, do bom senso, da afetividade e do êxito. Todas relacionadas com uma proposta de mais autonomia, criticidade e solidariedade no desenvolvimento das aprendizagens.
            Bem antes do sócio-interacionismo de Vigotsky e da afetividade de Wallon, Freinet nos apresenta, a partir das técnicas pedagógicas mais colaborativas ou da vivência do aprender ‘fora escola’, a possibilidade de se transformar aprendentes em sujeitos sociais proativos e integrados em suas referências sociais. Ensinar, a partir do desenvolvimento de atividades em conjunto, torna-se um momento de respeito a maneira como os aprendentes aprendem e como constroem os próprios caminhos neurais até o conhecimento. Ensinar torna-se criar uma vida cognitiva através do trabalho colaborativo.
            De acordo com Freinet, é preciso observar, entender e usar as diversidades e contradições em prol do processo de aprender. É ensinar no aprender fazendo, interagindo, criando sinergias entre o que se sabe e o que se pode saber no grupo. Córtex pré-frontal, hipocampo e lobos parietais acionados. É ensinar na colaboração para constantes reelaborações das informações na memória.
            Ensinar à geração multimídia demanda então os 04 fatores importantes: trabalho, bom senso, afeto e êxito. E este ensinar, quando à luz da neurociência, torna-se excitante e prazeroso. É promoção das neuroplasticidades, ou seja, da mutabilidade da sala de aula, a partir da mutabilidade neuronal de todos os cérebros em funcionamento focado. Além das emoções estimuladas pelo sistema límbico, há a demonstração da capacidade do encéfalo com seu córtex, tronco encefálico, bulbo e cerebelo de gerar e assumir funções e decisões, também gerando uma suficiente e ampla comunicação entre neurônios de forma a incentivar qualitativamente as atividades.
Ao elaborar seu planejamento então, o educador deve criar atividades que comportem um conjunto mínimo de conteúdos a serem assimilados durante sua realização. Ensinar torna-se a criação de processos de adaptação internas (bio) e externas (psicossocial) constantes. Ou seja, é exigir do cérebro sua função executiva com prazer e crescente auto-estima.
Segundo Lent (2008, p.289), as funções executivas “é um conjunto de operações mentais que organizam e direcionam os diversos domínios cognitivos categoriais para que funcionem de maneira biologicamente adaptativa”, mas também nos informa que estas mesmas funções executivas “são de difícil mensuração (...) e se manifestam em ambientes que demandam criatividade, respostas rápidas a problemas novos, planejamento e flexibilidade cognitiva” (p.291). Todo o processo, por conseguinte, acessa e estimula as amígdalas cerebrais, produzindo memórias emocional, que ativam o córtex pré-frontal, que introduz o raciocínio, o pensamento racional às etapas a serem enfrentadas por todos em cada atividade.
Ensinar, hoje, ganhar um novo estilo: um estilo mais ‘cerebelar’, mais equilibrado, com mais postura, apesar da necessidade de uso incessante de recursos tecnológicos no trato com a dinâmica da sala de aula. Há uma neurogênese importante no processo de se adquirir conhecimento, mas só ativada e desenvolvida caso aja uma adição constante de novas células para manter tanto o tônus muscular, quanto às faculdades mentais.
Hoje ensinar precisa ativar com intensidade áreas do aprendizado e da memória (hipocampo). E Freinet, com sua técnicas, torna-se extremamente atual e necessário.

Profa Claudia Nunes

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